BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O número de moradores de rua em Belo Horizonte quase triplicou em nove anos, passando de 1.827 em 2013 para 5.344 em 2022. Os dados, divulgados nesta quinta (8), são do censo realizado pela prefeitura e pela Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
O levantamento foi efetuado entre os dias 19 e 21 de outubro do ano passado, abrangeu as nove regionais da capital e contou com a participação de 300 pesquisadores.
Segundo os responsáveis pelo trabalho, a perda de emprego causada pela pandemia foi um dos fatores responsáveis pelo crescimento da população que vive nas ruas.
"Especialmente depois da pandemia você tem famílias de classe média baixa e famílias muito pobres que não conseguiram pagar aluguel e foram despejadas", afirmou a secretária de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania da prefeitura, Rosilene Rocha.
Apesar de o censo ter computado 5.344 moradores de rua, apenas 2.507 aceitaram responder aos questionamentos da pesquisa.
Neste universo, a maior parte da população de rua, 83,9%, é formada por homens com média de idade de 42,5 anos. O percentual é pouco menor que o registrado em 2013, que era de 86,7%.
As mulheres que vivem nas ruas da cidade têm idade média de 38,9 anos e representam 16,1% do total. Esse contingente em 2013 era de 13%.
Entre os entrevistados do novo censo, problemas familiares aparecem em primeiro lugar na lista de motivos para irem parar nas ruas (21,9%). A principal origem desses problemas é o uso de álcool e drogas, segundo a Secretária de Assistência Social.
Outros 18% indicaram o desemprego como a causa para passarem a viver nas ruas.
O tempo de permanência nas ruas aumentou. A média passou de 7,4 anos em 2013 para 11 anos em 2022.
O levantamento mostrou ainda que 91,4% querem sair das ruas.
Coordenador da pesquisa, Frederico Garcia disse que, mesmo quando as pessoas deixam de viver nas ruas, é preciso de atenção.
"São pessoas que vão sair para ser cuidadas. Vamos parar para pensar. A capacidade de integração no trabalho de uma pessoa da população geral com mais de 45 anos já é diminuída, imagina para uma pessoa que passou a vida na rua e que não tem muita capacitação e força física", afirma ele, que é professor da Faculdade de Medicina da UFMG.
A saída das ruas, de forma geral, acontece em estágios. O primeiro passo é a ida para um abrigo. Depois, a entrada para um programa de aluguel-social. "E, numa oportunidade, vão tocar suas vidas sozinhas", afirma Rosilene.
Ainda segundo o censo, 82,6% das pessoas que moram nas ruas da cidade se declaram pretas ou pardas. Em relação à origem, 59,5% são de fora da capital mineira. Outros 34,5% são de cidades do interior, 23,2%, de outros estados e 0,8%, de outros países.
A maior concentração se dá na regional centro-sul, área da cidade que reúne o centro da cidade e bairros da zona sul da capital.
A alimentação é feita sobretudo em restaurantes populares, bancados pela prefeitura. Do contingente, 67,2% recorrem a esses estabelecimentos para refeições. Neles, o café da manhã custa R$ 0,75, o almoço, R$ 3 e o jantar, R$ 1,50. Outros 13,8% buscam doações.