SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Sistema Cantareira apresentou nesta quinta-feira (1º) queda de 0,1% no volume armazenado, segundo relatório diário divulgado pela Sabesp, empresa responsável pela água e saneamento no estado. Isso aproximou o principal reservatório da Grande São Paulo da faixa mais severa de redução de captação.

Uma eventual operação com a menor retirada de água possível não significaria, porém, risco imediato de rodízio no abastecimento.

Com 20,1% do seu volume útil, o sistema está operando com "restrição", como classifica a norma de funcionamento da represa definida em conjunto pela ANA (Agência Nacional de Águas) e pela SP Águas.

A restrição é aplicada quando o Cantareira acumula entre 20% e 30% da sua capacidade. Nessa faixa de operação, a retirada de água deve ser limitada a 23 metros cúbicos por segundo (m³/s) e contar com apoio da bacia do rio Paraíba do Sul. Essa regra valerá para janeiro, informaram nesta quarta-feira (31) as agências federal e estadual que regulam o abastecimento.

Existem cinco faixas de operação do Cantareira. A primeira delas é a "normal", quando o volume é igual ou maior do que 60%. Ela permite a captação de até 33 m³/s, sem necessidade de receber água do Paraíba do Sul. A última é chamada "especial" e impõe retirada máxima de 15,5 m³/s, além de demandar auxílio do rio.

Desde o final de setembro o sistema opera com volume útil abaixo de 30%, chegando a cair para a casa dos 19% na primeira quinzena de dezembro. Desde crise hídrica de 2014 a 2016, o Cantareira não registrava índices tão baixos.

A chuva da última quarta-feira (30) foi a terceira mais importante de dezembro no reservatório, com 17,6 milímetros. Volume insuficiente, porém, para alterar o cenário de precipitações abaixo da média.

Choveu 134 milímetros no Cantareira em dezembro, menos do que os 177 milímetros registrados no mês na capital paulista, cujo índice ficou 3,7% inferior à média histórica do mês.

Há pancadas de chuvas previstas para a partir desta sexta-feira (2), segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) da Prefeitura de São Paulo. A média histórica de chuvas para janeiro na capital é de 256,4 milímetros.

Além do Cantareira, a Grande São Paulo é abastecida por mais seis conjuntos de represas que formam o Sistema Integrado Metropolitano. Somados, esses reservatórios operavam nesta quinta com 26% da sua capacidade.

Esse nível de armazenamento, apesar de preocupante, ainda mantém relativamente distante o risco de rodízio no abastecimento, quando a água é cortada por horas ou mesmo dias.

Segundo normas da Arsesp, a agência do governo paulista que regula os serviços públicos, o Sistema Integrado Metropolitano opera na sua terceira faixa de contingência -volume útil aproximado entre 29% e 23%. O rodízio somente entraria em vigor na sétima e última faixa, com volume negativo a partir de 3,3%.

As projeções da agência mantém a atual faixa de contingência para até setembro deste ano, portanto, sem previsão de rodízio para os próximos meses.

Em nota divulgada nesta quinta, a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirma estar se esforçando para preservar os mananciais da região metropolitana da capital em um cenário de chuvas abaixo da média e alta de 60% no consumo de água por conta do calor intenso.

Uma das ações adotadas pelo governo paulista para economizar o recurso é a redução da pressão noturna, entre 19h e 5h. A gestão Tarcísio afirma ter economizado 57 bilhões de litros de água com a medida. A ação tem consequências para a população, pois pode gerar desabastecimento temporário em alguns bairros.

Outras medidas estão em curso, segundo o governo. Entre elas, há um recente plano de gestão hídrica e antecipação de obras estratégicas, como o adiantamento em seis meses pela Sabesp do bombeamento de até 2.500 litros por segundo da bacia do rio Itapanhaú, na Serra do Mar, até o Sistema Alto Tietê. A integração permite aumento de 17% de água no reservatório.

FAIXAS DE OPERAÇÃO DO CANTAREIRA

_Em volume e retirada máxima permitida (m³/s ou mil litros por segundo)_

**1. Normal: volume igual ou maior que 60%**

Retirada de até 33 m³/s

**2. Atenção: volume igual ou maior que 40% e menor que 60%**

Retirada de até 31 m³/s + água transposta do rio Paraíba do Sul

**3. Alerta: volume igual ou maior que 30% e menor que 40%**

Retirada de até 27 m³/s + água transposta do rio Paraíba do Sul

**4. Restrição: volume igual ou maior que 20% e menor que 30%**

Retirada de até 23 m³/s + água transposta do rio Paraíba do Sul

**5. Especial: volume inferior a 20%**

Retirada de até 15,5 m³/s + água transposta do rio Paraíba do Sul