SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O sistema de transporte público de São Paulo teve queda de passageiros em 2025 ao mesmo tempo em que a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) aumentou os valores repassados às empresas operadoras do sistema para compor a receita tarifária.
Segundo dados apresentados pela SPTrans (empresa de transportes municipal) em reunião na manhã desta sexta-feira (2), foram transportados 2,12 bilhões de passageiros, 1,8% a menos do que em 2024, quando foram registrados 2,16 bilhões.
No último dia 29, Nunes anunciou aumento da tarifa de ônibus para R$ 5,30. O reajuste de 6% está acima da inflação acumulada no período de janeiro a novembro de 2025, de 3,9%, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) do IBGE. O novo valor começa a valer a partir da próxima terça (6).
Na capital paulista, a política municipal de transportes prevê que a prefeitura arque com parte dos custos do sistema, que inclui manutenção da frota e dos terminais, combustível, mão de obra e investimentos. Sem o repasse, a passagem de ônibus custaria R$ 13,49, segundo cálculos da SPTrans.
Os subsídios pagos às empresas ao longo do ano passado atingiram R$ 7,2 bilhões, maior valor da série histórica, com aumento de 7,4% em relação ao ano passado.
O valor superou a verba prevista para essa finalidade no orçamento da cidade, que foi de R$ 6,5 bilhões. Para 2026, a previsão é destinar R$ 6,2 bilhões.
Em dezembro, o prefeito assinou decreto que destinou R$ 40 milhões em compensações financeiras às operadoras do sistema, após paralisação de motoristas e cobradores de ônibus que afetou cerca de 3,3 milhões de passageiros.
Com o aumento da tarifa para R$ 5,30, a diferença paga pela prefeitura por passageiro será de R$ 8,19 a partir do próximo dia 6, quando o reajuste começa a valer.
Em 2024, os repasses de verbas municipais às empresas de ônibus tiveram salto de 26,4% em comparação ao ano anterior ?o maior aumento desde o fim da pandemia, quando as restrições sociais esvaziaram o transporte público. Com isso, nos últimos dois anos, os subsídios acumularam alta de 35,8%? de R$ 5,3 para R$ 7,2 bilhões.
No cálculo dos valores repassados pela prefeitura, entram os custos com a tarifa zero aos domingos, implantada pela gestão Nunes a partir de 17 de dezembro de 2023, poucos meses antes do início da sua campanha para a reeleição à prefeitura.
Segundo a SPTrans, a tarifa zero representou 12% dos subsídios repassados em 2025, ou R$ 864 milhões. A maior fatia, 45%, abarca a política de transporte do Bilhete Único, que prevê quatro embarques em até três horas pagando uma única tarifa.
Benefícios previstos a estudantes, idosos e pessoas com deficiência compõem o restante das gratuidades ou passagens com descontos pagas com recursos municipais às empresas.
Em 2025, as gratuidades no sistema de ônibus passaram de 28% para 29% do total de passageiros, após terem tido alta de seis 6 pontos percentuais em 2024 na comparação com o ano anterior. O percentual de passageiros pagantes era de 54% em 2023 e caiu para 50% em 2025. O resto das viagens são de integração do Bilhete Único.
Segundo a gestão Nunes, a correção atual da passagem de ônibus para R$ 5,30 corresponde a 20,45% de aumento em relação ao valor da passagem em 2020, quando custava R$ 4,40. No período, a inflação acumulada foi de 38,4%, segundo o IPCA.
NOVA TARIFA
Os usuários do sistema de transporte têm até o dia 5 de janeiro para recarregar o Bilhete Único com o valor ainda não reajustado.
O novo valor da tarifa só será debitado do cartão de transporte a partir de recargas feitas na categoria Comum após a data do reajuste. Até acabar o saldo pago em 2025 (dentro do prazo de 180 dias), serão debitados R$ 5 ao passar pelas catracas.
Com o aumento, o valor da integração do Bilhete Único Comum, para usuários dos ônibus municipais e do transporte sobre trilhos (trem e metrô), passará de R$ 8,90 para R$ 9,38. O reajuste de 5,39% está acima da inflação acumulada no período, de 3,9% segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) do IBGE.
Passageiros que usam vale-transporte pagarão R$ 11,32 nessa modalidade, alta de 5,69% em relação a 2025, quando o bilhete integrado custava R$ 10,71.