SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Usuários do transporte público em São Paulo dizem que sentirão no bolso o aumento determinado pelo poder público às passagens de ônibus, trem e metrô. O reajuste sobre as tarifas dos três transportes passou a vigorar nesta terça-feira (6).
No caso do ônibus, o valor foi de R$ 5 para R$ 5,30 ?um aumento de 6% que supera os 3,9% de inflação acumulada no ano passado, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) do IBGE.
Já a tarifa de trem e metrô subiu para R$ 5,40, um reajuste de 20 centavos na comparação com os R$ 5,20 cobrados até então e o equivalente a 3,8%, percentual, neste caso, abaixo da inflação.
No terminal Bandeira, no centro de São Paulo, a digitadora Penha Maria, 60, aguardava a chegada de um ônibus para ir ao trabalho, por volta das 7h desta terça. "Está caro, lógico. Para o nosso salário tudo é caro", disse.
Já para Alisson Alex dos Santos, 28, o reajuste não fará diferença para o seu orçamento a princípio. "Mas para muita gente é um valor que vai faltar", disse.
A promotora de vendas Simone Bastos dos Santos, 38, utiliza pelo menos cinco linhas de ônibus diariamente. Ela classificou o aumento como "um absurdo".
A diferença acumulada ao final do mês, segundo a doméstica Keila Cristina Almeida Alves, 37, significa menos compras para dentro de casa e para o filho. "A cada ano querem aumentar. Isso prejudica a gente. O salário não acompanha."
A poucos metros dali, na estação de metrô do Vale do Anhangabaú, a auxiliar administrativa Ana Lúcia Gomes, 58, conferia o bilhete único para ter certeza de que o saldo havia sido recarregado antes do reajuste ?para este mês, pelo menos, ela ainda pagará o valor antigo.
Usuária da tarifa integrada, ela mora em Guarulhos e leva cerca de uma hora e meia para chegar até o trabalho, na avenida Santo Amaro. "Para nós que temos o bilhete único, com desconto no salário, o impacto é menor. Mas e quem não tem?", diz.
Os usuários do sistema de transporte tinham até o dia 5, segunda-feira, para recarregar o Bilhete Único com o valor ainda não reajustado.
Aos 30 anos, o empreendedor Ivan Zanardo diz que o aumento não seria necessariamente ruim se viesse acompanhado de melhorias na qualidade do serviço. "Eu não ligaria de pagar até R$ 6, por exemplo, desde que funcionasse melhor. Quando a gente paga e tem retorno é uma coisa; quando não tem, é outra."
Entre os problemas, na avaliação dele, estão a superlotação do metrô, a falta de climatização adequada em dias de calor intenso e o atraso nas linhas. "Tem muito detalhe que poderia ser melhor, o que amenizaria o peso ao fim do mês", declarou.
Os novos valores das passagens foram anunciados pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) e pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no final de dezembro. A concessão de ônibus é municipal, e a do transporte sobre trilhos, estadual.
O valor de integração do Bilhete Único Comum, por sua vez, passou de R$ 8,90 para R$ 9,38. Ele é usado por passageiros que utilizam tanto transporte sobre trilhos como ônibus.
No início de dezembro, Nunes chegou a dizer que lutaria para que o reajuste sobre a tarifa de ônibus ficasse abaixo da inflação.
A gestão municipal diz que isso se manteve: cita um outro índice de cálculo, o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), para defender que o aumento anunciado nesta segunda ficou abaixo da inflação.
Diz também que o valor da tarifa ficou congelado de 2020 a 2025, quando houve atualização de 13,6%, de R$ 4,40 para R$ 5, após recorde dos valores pagos como subsídio às empresas de ônibus.
A nova alta da passagem do ônibus marca os dois anos de gratuidade do transporte municipal aos domingos. O benefício começou a valer em 17 de dezembro de 2023.
A iniciativa levou a municipalidade a pagar R$ 10 milhões a mais por mês ?R$ 2,5 milhões a cada domingo? às empresas de ônibus pelo aumento de 20% da demanda de passageiros.
Já o transporte público estadual teve alta acumulada de 22,7% desde o fim de 2023, primeiro ano da atual gestão estadual.