SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma criança de 10 anos, por pouco não inflou as estatísticas de mortes por afogamento no litoral paulista na última sexta-feira (2). A vítima foi retirada do mar em estado grave e, após manobras de reanimação, ela recuperou o fôlego e foi encaminhada à unidade de saúde. O caso ocorreu em Praia Grande, na Baixada Santista.

Dez pessoas morreram afogadas nas praias do litoral paulista nos primeiros dias de 2026, segundo o GBMar (Grupamento de Bombeiros Marítimo), responsável pela segurança e salvamento nas praias.

São casos que poderiam ser evitados com pequenos cuidados e atenção, segundo o Corpo de Bombeiros de São Paulo.

Conforme a corporação paulista, 95% das mortes ocorrem em corrente de retorno, quando a água do mar é puxada de volta para o fundo.

"Geralmente, quem vai para a praia ou para rios não sabe identificar quando a água não está própria para banho, por isso é preciso ficar atento à sinalização", diz a tenente Olívia Perrone Cazo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo. "O guarda-vidas colocou a placa de alerta ali antes porque ele identificou os riscos."

O banhista deve tomar outros cuidados. O primeiro deles é priorizar praias regulamentadas, onde há presença de guarda-vidas e bombeiros, por mais tentadora que seja a ideia de mergulhar em um lugar afastado e deserto.

Os bombeiros, inclusive, disponibilizam um serviço na internet com a relação de praias em toda a costa paulista com guarda-vidas ?clique aqui para saber quais são.

O ditado "água no umbigo, sinal de perigo", principalmente no caso dos adultos, continua a ser replicado pelos profissionais que fazem a segurança dos banhistas.

No caso de crianças, outras dicas são colocar pulseira de identificação e usar roupas chamativas para facilitar a localização no meio da água, no caso de afogamento.

Se você desconfiar de que uma pessoa está em perigo, observe os sinais, como semblante de pânico ou se ela começa a submergir e subir em sequência. "Esse é um estado avançado e ela precisa de ajuda urgente", alerta a tenente.

Se puder, arremesse um objeto flutuante ?mesmo que seja um isopor ou garrafa pet? ao local onde está a possível vítima. Isso poderá lhe dar mais tempo até a chegada do socorro.

Em piscinas, os afogamentos de crianças são mais comuns ?por isso, elas devem estar sempre acompanhadas de adultos, mesmo quando o local não é fundo.

"Em piscinas ocorrem casos de traumas, quando as pessoas sofrem acidentes, batem a cabeça e acabam ficando inconscientes embaixo d'água", alerta a tenente Olívia.

Adultos que supervisionam os pequenos devem evitar o consumo de bebidas alcoólicas para estarem em condições de prestarem socorro e passarem informações corretas às equipes de emergência.

O álcool também "estimula" pessoas a empurrarem outras na água, provocando um acidente que pode gerar desorientação da vítima e, assim, o afogamento.

Também é necessário atenção com idosos, que podem escorregar no chão molhado do lado de fora ou no fundo da piscina.

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DICAS DE SEGURANÇA

NA PRAIA

- Priorize locais com estrutura de segurança, onde há guarda-vidas e equipes de resgate, e que são de conhecimento das equipes de socorro

- Respeite sinalização; se a placa indicar que o local é perigoso, não entre na água

- A altura do umbigo é o limite de segurança para se entrar no mar

- Ao perceber que há uma pessoa que pode estar se afogando, comunique um guarda-vidas imediatamente

- Há sinais clássicos de risco de afogamento, como semblante de pânico e vítima que submerge e sobe da água

- Se puder, jogue a ela um objeto flutuante, boias ou mesmo isopor e garrafa pet

- Não tente socorrer a vítima sozinho, pois é muito perigoso sem o treinamento adequado; o certo é chamar ajuda especializada no local ou ligar para o telefone 193, dos bombeiros

- No caso de crianças, coloque pulseiras de identificação e roupas chamativas para facilitar a localização

- Se você perceber que está sendo arrastado para o mar, mantenha a calma e peça ajuda

- Boias infláveis não garantem segurança de crianças, pois podem furar

- Ensine os pequenos a pedir ajuda

- Procure não entrar no mar sozinho

- Se estiver embarcado ou em motos aquáticas, use colete salva-vidas

EM CACHOEIRAS, RIOS E REPRESAS

- Não entre em locais com corredeiras

- Se estiver embarcado, use colete salva-vidas

- Em rios sem corredeiras, não ultrapasse a altura do joelho, pois o nível pode aumentar rapidamente

- Em represas, cuidado para não enroscar partes do corpo na vegetação que pode estar no fundo

- Se tiver oportunidade, jogue uma corda, cabo ou qualquer objeto que a ajude a pessoa em estágio de afogamento chegar à borda

NA PISCINA

- Crianças nunca devem ficar sozinhas, mesmo em piscinas rasas, pois podem cair, bater a cabeça e acabarem desacordadas na água

- Nunca deixe brinquedos na beira da piscina para evitar que alguém tropece neles

- Idosos precisam tomar cuidado para não escorregar na água que fica no entorno da piscina ou quando tentam andar no fundo

- Não consuma bebica alcoólica, inclusive para ter condições de ajudar no socorro ou para passar informações corretas às equipes de emergências

Fonte: Corpo de Bombeiros de São Paulo