SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Morreu neste sábado (11) Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, a Irmã Henriqueta, conhecida nacionalmente pelo trabalho em defesa dos direitos humanos no Pará. Ela tinha 64 anos.
Irmã Henriqueta morreu em um acidente de carro na BR-320, a rodovia Transamazônica. O veículo em que ela estava capotou por volta das 17h30, na altura do km 135,8, enquanto se deslocava de Campina Grande para João Pessoa, na Paraíba.
Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), outras três pessoas estavam no carro e tiveram lesões graves. Elas foram levadas para o Hospital de Trauma de Campina Grande.
O corpo da freira será levado para Belém, onde será velado. O sepultamento ocorrerá na cidade de Soure, no Marajó. Ainda não foram informados detalhes sobre velório e enterro.
Irmã Henriqueta era presidente do Instituto de Direitos Humanos Dom José Luiz Azcona, que leva o nome do bispo emérito do Marajó, morto em 2024. Ambos se tornaram referência na luta em defesa dos direitos de crianças e adolescentes, sobretudo no arquipélago do Marajó (PA).
O instituto lamentou a morte. Em nota, a entidade disse que Henriqueta era uma "defensora incansável" dos direitos humanos e "abriu mão de ter uma vida pessoal para se doar aos que mais precisavam de ajuda".
"Irmã Henriqueta certamente está em paz e na luz eterna, junto ao amado bispo Dom Azcona. [...] Irmã Henriqueta e Dom Azcona permanecem sendo inspiração na luta por políticas públicas e o respeito intransigente aos direitos das nossas meninas e meninos que são afetados pela violência", afirma o Instituto Dom Luiz Azcona, em nota.
O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), decretou luto oficial de três dias pela morte. Em publicação nas redes sociais, ele disse ter recebido a notícia do falecimento com "profunda tristeza". Afirmou ainda que Irmã Henriqueta foi uma das "maiores referências na defesa dos direitos de crianças e adolescentes" no estado.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, também lamentou a morte. "Uma mulher cuja vida foi dedicada à defesa dos direitos humanos e à proteção de crianças e adolescentes na Amazônia. Sua atuação firme e generosa ajudou a construir redes de cuidado e enfrentamento às violências contra meninas e mulheres", publicou Macaé nas redes sociais.
Dira Paes chamou Henriqueta de "heroína brasileira". A atriz interpretou, no filme "Manas", uma delegada inspirada na trajetória da ativista. "Me despeço da minha amiga Irmã Henriqueta, uma heroína brasileira que dedicou sua vida em defesa dos direitos das crianças e adolescentes. [...] Dona de um dos abraços mais afáveis, uma confiança que motivava e uma força que se reconhecia só de olhar", escreveu Dira nas redes sociais.
''SOU ODIADA PELA MINHA LUTA"
Em 2023, a trajetória de Irmã Henriqueta foi contada em uma reportagem no UOL. Ela relatou que, há mais de uma década, estava no programa de proteção para defensores dos direitos humanos. O motivo: há anos, trava uma luta contra criminosos que violentam e exploram sexualmente mulheres e crianças.
Para circular pela cidade ou viajar, ela precisava de escolta policial e nunca saía às ruas de Belém sozinha. "Sou odiada pela minha luta", disse.
Irmã Henriqueta era ativista desde 2009. Chegou a coordenar o eixo de enfrentamento da violência sexual e o tráfico de pessoas da Comissão Justiça e Paz da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) no Amapá e no Pará.
Pelo trabalho, Irmã Henriqueta foi finalista do "Prêmio Inspiradoras" do UOL, em 2023, na categoria Conscientização e Acolhimento. Em novembro de 2025, ela foi uma das premiadas na edição especial Amazônia do "Mulheres Inspiradoras do Ano".