BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - Morreu no noite deste sábado (10) a religiosa Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, 64, conhecida como irmã Henriqueta. Ela era uma das ativistas de direitos humanos do Pará.
Ela foi vítima de um acidente automobilístico na Paraíba, onde visitava familiares. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o veículo que ela estava capotou na rodovia BR-230, na curva do Distrito de Galante, em Campina Grande. Quatro pessoas ocupavam o carro. Três ficaram feridas e foram socorridas. Henriqueta ficou presa nas ferragens.
O governo do Pará acionou o Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp) para fazer o traslado do corpo da ativista para Belém. A religiosa foi velada neste domingo (11) na Assembleia Legislativa do Pará e será sepultada nesta segunda (12) no cemitério da Prelazia do Marajó, no município de Soure, conforme seu pedido.
Luta por Direitos Humanos
Irmã Henriqueta foi um dos nomes mais atuantes contra exploração sexual infantil e tráfico humano no arquipélago do Marajó. Ela trabalha na região desde a década de 1990, obtendo reconhecimento nacional e internacional.
Ela atuou ao lado de outras lideranças, como o bispo emérito do Marajó, dom José Luis Ascona, com quem idealizou e fundou o instituto que leva o nome do religioso. A instituição tem um trabalho importante no combate à violência contra mulheres, crianças e adolescentes.
Henriqueta costuma visitar municípios da região para dar palestras e alertar a população sobre o tema e incentivar a prevenção, articulando uma rede de proteção e formação de agentes sociais.
Desde 2023, ela integrava o Fórum Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas, colaborando também na construção de políticas de enfrentamento às violências contra as mulheres.
A perda da ativista surpreendeu a sociedade paraense. Rapidamente autoridades, artistas e outros defensores de direitos humanos se manifestaram lamentando o fato nas redes sociais.
"Recebo com profunda tristeza a notícia do falecimento da Irmã Henriqueta, uma das maiores referências na defesa dos direitos de crianças e adolescentes em nosso Estado. Decreto luto oficial de três dias. Manifesto minha solidariedade aos familiares, amigos e a todos que seguem sua missão", disse o governador do estado, Helder Barbalho (MDB).
A atriz Dira Paes publicou uma foto com a religiosa e lembrou da sua dedicação pelos direitos humanos na região do Marajó. "Hoje me despeço da minha amiga irmã Henriqueta, uma heroína que dedicou a sua vida em defesa das crianças e adolescentes."
No filme "Manas", a atriz interpretou uma delegada que foi parcialmente inspirada na religiosa.
Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos do governo Lula (PT) também se referiu à Henriqueta como uma amiga e uma heroína brasileira pelo trabalho em defesa dos direitos humanos. O texto exalta sua postura determinada e como sua atuação ajudou inúmeras crianças e famílias.
"Ela vai fazer muita falta, mas com certeza deixou sementes que se tornarão árvores e novas lideranças surgirão, a partir do legado de luta que ela deixou", disse à Folha a jornalista Aline Brelaz, amiga da religiosa e que foi convidada por ela para integrar a rede de proteção contra exploração sexual.
A presidente da Comissão Especial de Combate ao Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas, Mary Cohen, também exaltou o trabalho da religiosa. "Perder a irmã Henriqueta é terrível para nós, ainda estamos em choque. Para a população do Marajó fica o legado de fé, de luta, de proteção, de acolhimento e de esperança."