BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou nesta quarta-feira (14) que 2025 foi o terceiro ano mais quente da história. A entidade, ligada à ONU, ratifica assim as observações publicadas também nesta quarta pelo serviço Copernicus, da União Europeia: os últimos 11 anos foram os 11 anos mais quentes já registrados.

"O ano de 2025 começou e terminou com um resfriamento causado pelo fenômeno La Niña, mas ainda assim foi um dos anos mais quentes já registrados globalmente devido ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera", afirma a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

O principal gás de efeito estufa é o dióxido de carbono, produzido sobretudo pela queima de combustíveis fósseis. A despeito do Acordo de Paris e das metas climáticas dos diversos países, as emissões mundiais de CO2 alcançaram níveis recordes em 2025.

Segundo a meteorologista, "as altas temperaturas terrestres e oceânicas contribuíram para o aumento de eventos climáticos extremos ?ondas de calor, chuvas intensas e ciclones tropicais violentos?, ressaltando a necessidade vital de sistemas de alerta precoce".

Pela análise da OMM, que reúne oito conjuntos de dados, o aquecimento médio global em 2025 foi 1,44°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900), com uma margem de erro de 0,13°C para mais ou para menos. Dois conjuntos de dados apontaram 2025 como o segundo ano mais quente da história, enquanto outros seis como o terceiro.

No último grupo encontra-se o Copernicus, que ressaltou também o último triênio como o primeiro a apresentar uma média de aquecimento acima do 1,5°C preconizado pelo Acordo de Paris, em 2015. Pelo ritmo atual, o limite será definitivamente superado em algum momento de 2029, mais de uma década antes do estimado à época da assinatura do pacto histórico.

A percepção sobre o triênio é a de que os últimos 11 anos foram os 11 mais quentes da história é confirmada pelas oito bases de dados. A OMM trabalha com 176 anos de registros meteorológicos.

Seis dos conjuntos de dados baseiam-se em medições realizadas em estações meteorológicas terrestres e outras instaladas em navios e bóias marítimas. Métodos estatísticos são usados para preencher lacunas.

Outros dois dos conjuntos de dados, o ERA5 do Copernicus e o JRA-3Q da Agência Meteorológica do Japão, são reanálises que combinam observações passadas, incluindo dados de satélite, com modelos que geram séries temporais consistentes de múltiplas variáveis climáticas. Uma delas é a temperatura.

Como as metodologias diferem, os valores encontrados de temperatura anual também são diferentes, ainda que marginalmente. Para a OMM, por exemplo, a temperatura global real em 2025 foi de 15,08 °C. Porém a margem de erro é muito maior para temperatura real (em torno de 0,5°C) do que sobre sua variação (0,13°C).

A organização ressalta ainda a sobrecarga nos oceanos provocada pelo aquecimento global. Cerca de 90% do excesso de calor provocado pela atividade humana é armazenado nos oceanos, tornando a temperatura da superfície oceânica uma variável crítica.

Estudo publicado no periódico científico Advances in Atmospheric Sciences mostra que as temperaturas dos oceanos em 2025 também estão entre as mais altas já registradas: 33% da superfície oceânica global está entre as três mais quentes condições já registradas; outros 57% estão entre as cinco mais quentes.

"O monitoramento do estado do clima pela OMM, baseado na coleta colaborativa e cientificamente rigorosa de dados globais, é mais importante do que nunca, pois precisamos garantir que as informações sobre o planeta sejam confiáveis, acessíveis e úteis para todos", afirma Saulo, em clara referência ao desmonte ambiental em curso nos EUA.

Na semana passada, o governo Donald Trump anunciou a saída do país do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), iniciativa científica mais importante da área, e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

O tratado, de 1992, sustenta os principais acordos internacionais sobre a questão.

Além do óbvio impacto político, o ato do presidente americano, um negacionista da crise climática, tem potencial para gerar consequências à ciência que acompanha o problema.