SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O juiz André Felipe Veras de Oliveira, da 32ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, determinou na segunda-feira (12) que a PF (Polícia Federal) inclua o nome do fundador e ex-CEO da Hurb João Ricardo Rangel Mendes na lista de procurados da Interpol (Polícia Internacional). A defesa não se manifestou até a publicação deste texto.
Mendes está foragido desde 7 de janeiro, quando foi alvo de um mandado de prisão preventiva após ser detido e depois liberado no Aeroporto Regional de Jericoacoara, em Cruz (CE), por uso de documento falso. Ele tentava embarcar num voo com destino a Guarulhos, em São Paulo.
O ex-CEO já cumpria medidas cautelares no âmbito de um caso em que é acusado de furtar obras de arte de um hotel e de um escritório na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.
Uma das condições a que estava submetido era a de não cometer novos crimes, determinação descumprida no episódio do Ceará. Foi o estopim para que a Justiça determinasse sua prisão preventiva.
"Tornou-se evidente que a manutenção da liberdade do acusado gera risco concreto à ordem pública, fato que justifica o seu retorno ao cárcere", disse o magistrado na decisão, expedida no último dia 7.
A ordem, porém, nunca chegou a ser cumprida.
Ao determinar à PF a inclusão de Mendes na difusão vermelha da Interpol, mecanismo de cooperação internacional para localizar foragidos, o magistrado disse não ser "inimaginável que [o ex-CEO] reúna condições materiais suficientes para sustentar eventual fuga sua para o exterior (se é que já não o fez)".
O ex-CEO está proibido de sair do Brasil e não pode expedir passagens em seu nome. A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio diz que ele já vinha descumprindo as condições para sua liberdade. Um relatório da pasta afirma que o empresário chegou a manter a tornozeleira descarregada por até 27 horas.
A ação penal a que Mendes responde, movida pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), o acusa de furtar obras de arte de um hotel e de um escritório de arquitetura em um shopping de luxo na Barra da Tijuca.
Segundo a Promotoria, tudo ocorreu entre uma madrugada e uma manhã. No caso do hotel, o ex-CEO se passou por entregador para entrar no imóvel. No do escritório, situado em um shopping, por eletricista.
Ao todo, foram mais de R$ 120 mil em bens furtados, o que inclui quadros, uma escultura, carteiras Mont Blanc e cartões de crédito. Ele fugiu em uma motocicleta sem placa e foi preso no mesmo dia, em 25 de abril, em uma cobertura na Barra da Tijuca, onde parte das obras furtadas foi encontrada.
A defesa de Mendes já entrou com dois habeas corpus no TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), pedindo a revogação da prisão preventiva, mas sem sucesso. A última das decisões rejeitando a medida liminar (provisória) saiu na terça (13), um dia depois da ordem judicial para a lista da Interpol.
Em juízo, ele alega problemas psiquiátricos. Na ação a que responde, por exemplo, uma das condições para a sua soltura, em julho do ano passado, foi a instauração de um incidente de insanidade mental para avaliar, por meio de perícia médica, o quadro clínico do ex-CEO.