SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo reintegrou nesta quinta-feira (15) a posse do terreno do Teatro de Contêiner, ocupado há quase dez anos na rua dos Gusmões, no Centro de São Paulo.
Teatro foi lacrado após intervenção da prefeitura no local na manhã desta quinta-feira (15). A ação de reintegração foi acompanhada pela Guarda Civil Metropolitana.
Prefeitura alegou "falta de acordo" e disse que o espaço era uma ocupação irregular. Em nota, o órgão disse que reintegrou a "posse da área pública ocupada irregularmente" com aval judicial.
Disputa entre companhia de teatro Mungunzá e prefeitura durou meses. A prefeitura alega que vai usar o terreno para construir habitacionais e o grupo teatral afirma que os terrenos oferecidos pelo órgão em troca do da rua dos Gusmões não comportam a arquitetura do espaço. Veja mais sobre o embate abaixo.
Em setembro, a Justiça deu um prazo de 90 dias para que o grupo teatral deixasse o terreno. O prazo foi estabelecido após aceitação de um recurso da Prefeitura de São Paulo, que pediu a suspensão de uma decisão provisória de outra juíza, impedindo incursões da GCM e a retirada do grupo do local.
A reportagem buscou a Prefeitura de São Paulo e a Subprefeitura da Sé, mas não teve retorno sobre o assunto até o momento. O espaço segue aberto para manifestação e será atualizado se houver posicionamento.
SOBRE A DISPUTA
Prefeitura notificou grupo teatral duas vezes, em maio e agosto de 2025, para deixar o local em um prazo de 15 dias. A gestão alegava a necessidade da área para seu empreendimento habitacional popular, que prevê 95 apartamentos em um prédio de 14 andares, além de quadra esportiva e praça.
Além de entrar com recursos na Justiça, companhia mobilizou atos e artistas contra despejo. Além de manifestações de rua convocadas por atores e movimentos sociais ligados ao grupo Mungunzá, os protestos contra o despejo da companhia mobilizaram artistas renomados nacionalmente como Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Antônio Fagundes e Marcos Caruso.
Em junho, prefeitura ofereceu novo espaço para o Teatro de Contêiner. O imóvel oferecido também fica no centro, na rua Conselheiro Furtado, e teria quase o dobro do tamanho da área atual ocupada pelo grupo, segundo a prefeitura.
Gestão do teatro disse que equipamento não caberia no terreno oferecido. "A arquitetura do teatro, reconhecida internacionalmente, foi pensada para expansão da lateralidade do espaço - por isso, inclusive, as paredes laterais do teatro são de vidros", diz trecho da nota enviada em junho ao UOL.
Companhia também rebateu argumento sobre construção de casas populares. "Acreditamos que o Estado deveria construir habitação social nos inúmeros terrenos ociosos envoltórios ao teatro. Habitação não é só moradia. Gostaríamos também que a prefeitura retirasse os sigilos dos processos de desapropriações que estão ocorrendo no centro da cidade, inclusive do Teatro de Contêiner ?para que possamos nos defender com dignidade", divulgou à época.
Artistas afirmam ainda que a prefeitura abandonou conversas para solução para o caso. Além de não mandar nenhum representante em uma reunião proposta pelo promotor Paulo Destro, do Ministério Público de São Paulo, em 10 de agosto, a gestão Nunes não respondeu à proposta de acordo da companhia para aceitar um terreno proposto pela administração municipal na alameda Glete, segundo disseram representantes da companhia à Folha de S.Paulo.