CUIABÁ, MT (FOLHAPRESS) - A plataforma Roblox, uma das mais populares entre crianças e adolescentes no mundo, foi tomada por protestos virtuais nesta semana, quando anunciou restrições de idade para uso do chat entre usuários.
No jogo, manifestantes atribuíram as mudanças ao influenciador Felipe Bressanim, conhecido como Felca. Ele virou alvo de críticas, xingamentos e cartazes exibidos por avatares em diferentes servidores.
A assessoria de imprensa de Felca informou que ele não está concedendo entrevistas no momento. Já o advogado dele, João de Senzi, afirmou que está em recesso e só deve se manifestar após o dia 20.
As mudanças implantadas pelo Roblox afetam diretamente a comunicação entre os jogadores. A empresa passou a exigir verificação de idade por reconhecimento facial e a restringir o chat entre usuários de faixas etárias diferentes.
Crianças menores de nove anos só podem acessar o jogo com autorização dos responsáveis, enquanto usuários com mais de 13 anos poderão conversar somente com aqueles de idades próximas.
O Roblox é usado majoritariamente por crianças e adolescentes e se tornou, ao longo dos anos, um ambiente sensível para esse público justamente por permitir interação direta entre jogadores desconhecidos, inclusive adultos. É nesse contexto que a empresa decidiu endurecer as regras.
Como a plataforma permite que usuários criem seus próprios jogos e mundos, os protestos assumiram uma forma típica do próprio Roblox. Surgiram "passeatas" virtuais, com avatares caminhando em grupo, segurando cartazes e repetindo frases pedindo a volta das regras antigas.Em vídeos que circulam nas redes, personagens se concentram em praças, corredores e mapas personalizados para realizar as manifestações.
A escrita dos cartazes, muitas vezes com erros de grafia, frases curtas e linguagem infantil, sugere que a maioria dos participantes seja formada por crianças e adolescentes.
Ainda assim, a forma como o movimento surgiu e se espalhou levanta dúvidas sobre sua origem, avalia o advogado Luiz Augusto D?Urso, especialista em direito digital e cibercrimes.
Segundo ele, embora a "massa" dos protestos pareça infantil, o impulso inicial pode não ter partido das próprias crianças.
"Não dá para descartar que a ideia tenha sido criada ou estimulada por adultos que têm interesse no retorno do chat. São pessoas que sabem persuadir e conseguem mobilizar comunidades formadas por crianças", afirma.
D?Urso diz que, mesmo assim, hoje os protestos são ocupados majoritariamente por menores de idade. "Elas podem ter sido induzidas ou simplesmente se mobilizado porque sentiram que perderam algo importante dentro do jogo. Mas a composição atual é claramente infantil."
O advogado afirma que o chat sempre foi o principal ponto de risco jurídico do Roblox. Ele relata que já atuou em um processo envolvendo uma criança que sofria bullying contínuo na plataforma.
"É no chat que surgem ofensas, ameaças, perseguição e até tentativas de aliciamento. Quando isso acontece em um ambiente frequentado por crianças, a responsabilidade da empresa é direta", afirma.
A pressão sobre o Roblox aumentou nos Estados Unidos ao longo de 2024. Em agosto, o estado da Louisiana acusou a empresa de permitir que predadores sexuais atuassem dentro do jogo.
As novas regras de verificação de idade e restrição de chat começaram a ser implementadas no fim do ano como resposta a esse cenário.
A associação das mudanças ao influenciador Felca ganhou força após a circulação de vídeos em que ele critica a exposição precoce de crianças em ambientes digitais. Apesar disso, ele não tem nenhum vínculo com o Roblox nem participação formal nas decisões da empresa.
O Roblox é uma das 37 plataformas que, até 13 de fevereiro, devem apresentar ao governo federal as medidas que vêm adotando para se adaptar ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) Digital, nova lei com objetivo de ampliar a proteção de jovens em ambientes online.