SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo decidiu suspender por tempo indeterminado um despacho que autorizava a remoção de árvores na calçada de um empreendimento imobiliário em Pinheiros, zona oeste da capital.
A decisão foi tomada na segunda-feira (12) após pressão de moradores e vem, de acordo com a gestão Ricardo Nunes (MDB), "para reanálise da necessidade do manejo arbóreo". A obra está situada no cruzamento entre as ruas Joaquim Antunes e Artur Azevedo.
A incorporadora Kallas, responsável pelo empreendimento, afirmou que "a obra está sendo executada em total conformidade com o alvará aprovado" e que "as supressões realizadas foram devidamente autorizadas pelo Departamento de Parques e Áreas Verdes e pela subprefeitura após análises técnicas cabíveis".
Disse ainda que "respeita integralmente as determinações dos órgãos públicos e irá acatar as decisões apresentadas, mantendo a obra estritamente dentro dos parâmetros legais estabelecidos".
A administração municipal não deu mais detalhes. Segundo moradores, o corte serviria para facilitar a entrada e saída de caminhões na obra. A empresa nega, e a prefeitura não respondeu a esse questionamento.
A autorização para o corte foi assinada em agosto do ano passado pelo secretário do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Kenji Ashiuchi.
O documento dá aval à supressão de três árvores. Uma delas já estava condenada, de acordo com o despacho do secretário. As outras duas, ambas na calçada, não.
A decisão que suspende o corte vale somente para as árvores em via pública, mas na prática atinge somente uma, da espécie canafístula, porque a outra já foi suprimida.
O caso ganhou repercussão entre moradores de Pinheiros, que chegaram a protestar em frente à obra no último sábado (10). A suspensão do aval à remoção do espécime veio dois dias depois.
O ato foi organizado pelos próprios munícipes e por associações de moradores, além da organização Pró-Pinheiros e outros movimentos da sociedade civil. Eles também encabeçam um abaixo-assinado contra os cortes.
Entre os que compareceram ao protesto no sábado está o ex-deputado Fábio Feldmann, um dos fundadores da SOS Mata Atlântica.
"Não há nenhuma razão para se suprimir essa árvore", declarou ele em vídeo publicado pela associação de moradores da Joaquim Antunes em uma rede social.
Moradora do bairro, a publicitária Rosanne Brancatelli diz que Pinheiros sofre com a remoção de árvores desde 2019, "seja pela verticalização ou pela supressão por solicitações de moradores ou da Enel", afirma.
"Muitas vezes a árvore não tem problema nenhum."
Nos últimos seis anos, afirma, foram ao menos 5.000 espécimes suprimidos. "Um retrocesso", diz o também morador de Pinheiros Daniel Navarro, escritor.
O veto ao corte das árvores, ainda que não definitivo, acompanha movimentos semelhantes da gestão Nunes diante de manifestações populares que criticam medidas nesse sentido.
Em novembro de 2025, por exemplo, o governo do emedebista suspendeu a autorização para o corte de 14 árvores na associação A Hebraica, tradicional clube da comunidade judaica na capital paulista. A permissão havia sido concedida em fevereiro do ano passado.
Mas há determinações que partem do Poder Judiciário. No final do ano passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a paralisação imediata de "qualquer corte, poda, supressão ou manejo arbóreo" no chamado Bosque dos Salesianos, no Alto da Lapa, zona oeste da capital.
Pouco antes, uma decisão de primeira instância havia ordenado à construtora Tenda que interrompesse a derrubada de 384 árvores na avenida Guilherme Dumont Villares, no Butantã.