SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Fundador e ex-CEO da Hurb (antigo Hotel Urbano), o empresário João Ricardo Rangel Mendes estava numa cobertura na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, quando foi preso.
Por volta das 15h do dia 25 de abril do ano passado, o empresário era o principal suspeito de uma onda de furtos ocorrida horas antes, que mirou principalmente obras de arte. Para o Ministério Público do Rio de Janeiro, foi ele quem cometeu os crimes.
Mendes hoje está foragido. Na segunda (12), a Justiça mandou a PF (Polícia Federal) incluir seu nome na difusão vermelha da Interpol, um mecanismo global de cooperação policial. Procurada pela reportagem, sua defesa não se pronunciou até a publicação deste texto.
Em juízo, Mendes alega transtornos psiquiátricos e diz que não houve dolo (intenção) nas suas condutas ?tanto é, diz o empresário, que não houve violência.
Dois locais foram alvo do ex-CEO no dia dos acontecimentos, segundo o MP-RJ, ambos na Barra da Tijuca.
O primeiro foi um hotel aonde ele chegou por volta das 2h38. De acordo com a denúncia, ele se passou por entregador para ludibriar os funcionários e furtou um quadro de vidro.
Dirigiu-se na sequência, pouco depois das 3h, até um centro comercial no mesmo bairro. Estava de olho num escritório de arquitetura, afirmam as autoridades.
Ainda conforme a denúncia, ele disse aos funcionários ser um eletricista contratado para fazer reparos no local. "Destaque-se que o denunciado chegou a perguntar para a funcionária Amanda qual seria a tomada 'de 220v', apresentando-se efetivamente como se estivesse prestando serviços", diz a Promotoria.
Dali teriam saído os itens de maior valor.
Segundo o Ministério Público, o ex-CEO furtou duas mesas digitalizadoras e dois quadros que, somados, estão avaliados em R$ 50 mil.
Subtraiu também, sempre de acordo com a denúncia, duas carteiras Mont Blanc avaliadas em R$ 5.800, uma CNH e cartões de crédito de um dos sócios do escritório.
O Ministério Público diz que ele ainda havia separado outros bens, avaliados em mais de R$ 80 mil, que só não foram furtados porque uma funcionária chegou ao escritório.
Mendes teria deixado o escritório por volta das 7h e retornado ao hotel onde teria iniciado a sequência de furtos. Desta vez, diz o MP-RJ, levou quatro obras de arte, um quadro e três esculturas, que escondeu no interior do casaco e numa fronha que retirou de uma almofada. Eram 8h30.
Para deixar o local sem deixar pistas, ele simulou um mal-estar "para facilitar a saída com os bens subtraídos, caracterizando, assim, a fraude", afirma a Promotoria.
A denúncia afirma que a moto usada para o crime, uma Ducati ano 2021, foi encontrada no apartamento onde Mendes foi preso com parte dos bens furtados. O veículo não tinha placa.
Preso em abril do ano passado, ele foi solto no final de julho em decisão que determinou o uso de tornozeleira eletrônica e obrigou o comparecimento do ex-CEO em juízo a cada dez dias.
Isso se manteve até o início de 2026, quando o empresário foi preso no Aeroporto Regional de Jericoacoara, em Cruz (CE), por uso de documento falso. Ele tentava embarcar num voo com destino a Guarulhos, em São Paulo e acabou liberado pouco depois.
Foi o estopim para que a Justiça do Rio, que já havia ordenado medidas cautelares, determinasse sua prisão preventiva, ou seja, sem prazo.
"Tornou-se evidente que a manutenção da liberdade do acusado gera risco concreto à ordem pública, fato que justifica o seu retorno ao cárcere", disse o magistrado na decisão, expedida no último dia 7. Desde então ele está foragido.
A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio diz que ele já vinha descumprindo as condições para sua liberdade e chegava a manter a tornozeleira sem bateria por até 27 horas.
A defesa de Mendes, que pediu para enviar questionamentos por escrito e não deu retorno, chegou a entrar com dois habeas corpus no TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) pedindo a revogação da prisão preventiva. Sem sucesso.
A mais recente decisão que rejeitou sua soltura em caráter liminar (provisório) veio na terça (13), um dia após a Justiça determinar a inclusão de seu nome na lista da Interpol.