SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma mulher de 24 anos caminhava próximo a uma faixa de pedestres na avenida Ede, Vila Medeiros, zona norte de São Paulo, quando foi atingida por uma motorista embriagada, no início da manhã do último dia 10 de novembro. A vítima morreu. A condutora, que fugiu sem prestar socorro, foi presa.
Casos como esse cresceram na cidade de São Paulo. Dados do Infosiga, sistema estadual de monitoramento da letalidade no trânsito, divulgados na tarde desta sexta-feira (16) pelo Detran-SP (Departamento de Trânsito), mostram que 410 pedestres morreram no município no ano passado -em média, mais de uma pessoa foi morta após ser atropelada por dia.
O número, o maior desde 2015 (início da série histórica e quando ocorreram 461 mortes), supera em 10,2% os 372 óbitos por atropelamento em 2024.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), afirma ter implementado diversas ações para garantir a segurança de todos os usuários do viário urbano.
Para pedestres, a gestão Ricardo Nunes (MDB) cita a criação das áreas calmas -com velocidade máxima permitida de 30 km/h-, rotas escolares seguras, redução do limite de velocidade de 50 km/h para 40 km/h em 24 vias, aumento do tempo de travessia, implantação de mais de 10 mil novas faixas de pedestres, colocação de travessias elevadas em locais estratégicos e implantação de minirrotatórias.
"Para vias da cidade com maior índice de acidentes, há ainda o Programa Operacional de Segurança", diz.
A estatística desse tipo de morte também cresceu -alta de 6,8%- na região metropolitana de São Paulo, com 688 vítimas.
Para Diogo Lemos, coordenador-executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, a alta revela falta de comprometimento contínuo da cidade com políticas coordenadas de segurança viária.
"Os dados do Infosiga indicam que o pedestre segue extremamente exposto no trânsito da capital", diz.
Em São Paulo, afirma, as travessias são muito espaçadas, os ciclos semafóricos estão cada vez mais longos e os tempos destinados aos pedestres são curtos e inadequados, o que empurra as pessoas para ações inseguras.
"A gestão da velocidade é central para proteger pedestres, especialmente em áreas com grande circulação de pessoas, como entorno de escolas, hospitais, terminais de ônibus e áreas comerciais", diz. "Nesses locais, velocidades de até 30 km/h deveriam ser regra"
Lemos afirma que existem soluções simples, eficazes e de baixo custo que não estão sendo implementadas em escala, como encurtamento de travessias, redução dos raios de curvatura nas esquinas, moderação de tráfego, ciclos semafóricos mais curtos e mais tempo para o pedestre atravessar.
"Nos últimos anos, a cidade investiu muito em recapeamento e novo asfalto, mas deixou de investir em desenho viário seguro, mesmo sabendo que um terço das viagens é feito a pé e outro terço em transporte coletivo, sendo que esse usuário também é pedestre", afirma.
Mortes por atropelamentos foram as únicas que cresceram no trânsito paulistano no ano passado e puxou a alta de 0,5% do total de óbitos, na comparação com o ano anterior (foram 1.101 registros contra 928).
Houve queda, inclusive, no número de motociclistas mortos, de 1,2%.
Ocupantes de motocicletas continuam sendo as principais vítimas do trânsito na cidade de São Paulo. No ano passado, 475 dessas pessoas -tanto condutores quanto passageiros- morreram em acidentes, contra 481 em 2024.
A plataforma de dados do governo estadual mostra ainda que as marginais Pinheiros e Tietê foram as vias mais letais, com 12 mortes em acidentes de trânsito cada. O trecho urbano da rodovia Raposo Tavares vem a seguir, com nove óbitos.
LEVE QUEDA NO ESTADO
Os dados do Infosiga mostram que em todo o estado de São Paulo a quantidade de mortes ficou praticamente estável no ano passado. A queda foi de apenas 0,3%.
No total, o trânsito matou 6.109 pessoas nos municípios paulistas em 2025, uma média de 17 pessoas por dia.
Segundo o Detran, os sinistros de trânsito no estado de São Paulo, incluindo os sem vítimas, caíram 22,6% no ano passado.
O Departamento de Trânsito diz ter intensificado o combate à alcoolemia com aumento de 125% nas operações e 94,4% nas abordagens de condutores de janeiro a dezembro de 2025.
"Além disso, durante 2025, o Detran-SP realizou cerca de 3.000 ações educativas, atingindo aproximadamente 800 mil pessoas, com foco nos públicos mais vulneráveis no trânsito", diz.