Com a intensificação das chuvas no verão, cresce o risco de ocorrência da chamada “cabeça d’água” em rios, cachoeiras e lagos de Minas Gerais. O fenômeno, caracterizado pela elevação repentina do nível e da força da correnteza, é responsável por parte significativa dos afogamentos registrados no estado, especialmente em áreas naturais muito frequentadas nesta época do ano.

Dados do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais indicam que, anualmente, mais de mil ocorrências de afogamento são atendidas no estado, com cerca de 200 mortes. Muitos desses casos acontecem em rios e cachoeiras, onde o perigo nem sempre é visível. Mesmo sem chuva no local do banho, tempestades nas cabeceiras podem provocar aumento súbito e violento do volume de água.

Situações desse tipo já resultaram em ocorrências de grande impacto. Em janeiro de 2024, 16 pessoas ficaram ilhadas na cachoeira de Braúnas, na Serra do Cipó, e precisaram ser resgatadas por equipes terrestres e por aeronave. Em 2021, uma cabeça d’água em Capitólio arrastou dezenas de pessoas, deixando feridos e vítimas fatais.

O fenômeno costuma apresentar sinais de alerta, como aumento rápido da correnteza, presença de folhas, galhos e detritos descendo pelo rio, mudança na cor da água, que se torna turva ou barrenta, e alteração no comportamento de animais, especialmente aves que fogem das áreas atingidas pela chuva.

Trechos com encostas íngremes e distantes das nascentes são os mais vulneráveis, pois o nível da água tende a subir com maior rapidez. Em locais sinalizados com alerta para cabeça d’água, o risco é ainda maior, e a recomendação é evitar o acesso em períodos de instabilidade climática.

Para reduzir os riscos, a orientação é priorizar áreas próximas às nascentes, evitar locais sem monitoramento, nunca entrar sozinho em rios ou cachoeiras, conferir a previsão do tempo em toda a região e não permanecer em pedras, lajes ou atravessar cursos d’água.

Caso seja surpreendida por uma cabeça d’água, a recomendação é não tentar enfrentar a correnteza, buscar imediatamente um ponto mais alto e seguro e aguardar a normalização do nível do rio. A prevenção continua sendo a principal medida para garantir segurança durante o lazer em ambientes naturais.

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