BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Inep, órgão de avaliações do MEC (Ministério da Educação) admitiu erro em dados do novo exame de medicina enviados às instituições de ensino, mas argumentou que as notas finais estão corretas.

A realização da primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) gerou revolta no setor, que tentou barrar a divulgação dos resultados da prova e agora vê divergências e contesta na Justiça as informações apresentadas pelo MEC.

O presidente do Inep, Manuel Palacios, afirma que a inconsistência ocorreu apenas em insumos preliminares repassados a instituições de ensino, mas não afetou dados usados para calcular o desempenho dos estudantes e das faculdades na prova.

Pelos resultados do Enamed, 99 cursos no Brasil não alcançaram a nota mínima e estão sujeitas a punições do Ministério da Educação como suspensão do Fies e redução de vagas.

Após a prova, cada curso recebeu uma nota que corresponde ao percentual de seus estudantes que conseguiram atingir um nível mínimo de proficiência nos assuntos apresentados: 1 para até 39,9%, 2 entre 40% e 59,9%, 3 de 60% a 74,9%, 4 entre 75% e 89,9% e 5 para igual ou maior que 90%.

O MEC considera como satisfatório resultados a partir de 3 e aplica sanções às instituições que pontuaram abaixo.

Após a divulgação dos dados na última segunda-feira (19), instituições de ensino questionaram os dados.

Segundo a Afya (entidade que representa cursos privados de medicina) os resultados divergem do que havia sido informadas pelo próprio MEC às faculdades em dezembro de 2025, pelo e-MEC, sistema utilizado pelo ensino superior.

Na noite da própria segunda, o Inep enviou um ofício às instituições no qual admite houve um erro no que foi disponibilizado na plataforma, mas alega que os resultados do exame estão corretos.

"Foi identificada uma inconsistência na base dos insumos disponíveis no Sistema e-MEC", afirma o instituto, sem especificar o problema.

O documento apenas afirma que os cálculos feitos em dezembro utilizaram a nota de corte errada.

No final de 2025, o MEC enviou a cada instituição um documento no qual constava o número de alunos inscritos para o Enamed, quantos fizeram a prova e quantos atingiram a proficiência considerada satisfatória.

A partir daí, as próprias instituições calcularam a sua nota e concluíram se poderiam ser punidas. Quando os resultados oficiais foram divulgados, porém, os dados não convergiam.

Palacios afirma que não houve nenhum problema com os cálculos do Enamed e que, em 12 de dezembro, cada um dos quase 90 mil participantes recebeu os resultados de suas provas, com a pontuação alcançada a proficiência calculada com a nota de corte correta, dentro da metodologia estipulada.

Essas foram as informações que subsidiaram os dados finais divulgados nesta segunda, diz, e isso se mantém inalterado.

Dias depois, continua Palacios, houve o envio de informações para as instituições, com o erro.

"Foi um erro no lançamento de dados no e-MEC, um erro inclusive que nós estamos apurando ainda, precisamos entender aqui qual foi a razão desta inconsistência. Porque até aqui não temos um diagnóstico claro do que se passou, e é importante apurar", diz.

Ele afirma que, em razão do imbróglio, o MEC vai abrir um prazo de cinco dias para que as instituições de ensino apresentem recursos e tenham seus questionamentos respondidos pelo Inep.

Palacios diz ainda que os microdados -detalhamento com as respostas de cada participante- do Enamed foram publicados e demonstram que não há qualquer divergência entre o desempenho dos estudantes e a nota atribuída a cada instituição de ensino.

Em nota divulgada ainda na segunda, a Afya, por exemplo, afirmou que a partir dos cálculos feitos em dezembro, 30% das 23 instituições representadas por ela estavam abaixo do mínimo satisfatório, o equivalente a sete.

Pelos resultados oficiais divulgados pelo MEC, a entidade teve 13 cursos com nota insatisfatória.

Em razão da divergência, a Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares), que já havia tentando barrar a divulgação dos dados, voltou a questionar o exame na Justiça.

A entidade pede que "sejam considerados exclusivamente os dados oficiais disponibilizados às instituições por meio do sistema e-MEC" -no qual menos instituições tiveram notas baixas.

"[O Enamed] necessita de mais tempo para consolidação técnica e institucional antes de produzir efeitos regulatórios e sancionatórios" afirma a entidade.