SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Frequentadores do Parque da Água Branca, na zona oeste de São Paulo, têm deixado celulares em casa durante os passeios após relatos de furtos no local.
No sábado (10), um homem sofreu fratura no braço após ser empurrado e ter uma corrente roubada durante uma corrida. Ele teve que passar por uma cirurgia para colocação de placa e parafusos.
O assalto foi divulgado pelo perfil no Instagram Perdizes Acontece. O caso é investigado pelo 23º Distrito Policial (Perdizes).
A concessionária Reserva Parques, que administra o local, confirmou a ocorrência e a classificou como fato isolado. "O frequentador foi atendido imediatamente pela equipe do parque, que acionou a Polícia Militar", diz a nota.
Visitantes ouvidos pela reportagem na tarde de terça-feira (20), porém, relataram mudanças de hábito por medo. Quatro pessoas confirmaram que estavam sem o celular naquele momento como medida de segurança.
Uma aposentada de 76 anos, que frequenta o local quase diariamente, disse que desde o final do ano passado leva apenas água e o documento de identificação. Seu maior medo não é ser roubada no parque, mas durante o trajeto, afirmou.
Um grupo de babás também relatou ter parado de levar celulares durante os passeios com bebês. Uma delas contou que, na semana passada, o chinelo de uma das crianças foi furtado quando a peça ficou momentaneamente afastada.
Na terça-feira, outros visitantes circulavam com celulares nas mãos durante exercícios físicos ou para fotografar as árvores e aves do parque.
Segundo relatos de frequentadores, os autores dos crimes seriam jovens que agem em grupo. Eles se aproveitariam dos muros baixos que separam o parque da avenida Francisco Matarazzo para acessar o local.
O grupo também ataca motoristas e pedestres no entorno da avenida.
Em resposta, a concessionária disse que ampliou em mais de 60% o número de câmeras de monitoramento nos últimos meses. O parque conta atualmente com 44 equipamentos. A empresa também afirmou ter aumentado em 20% a equipe de vigilância, além de ter adotado novos protocolos de segurança.
Na tarde de terça, a reportagem viu vigilantes em todas as entradas e um segurança que fazia ronda em uma bicicleta elétrica na parte interna. Um deles tinha como função específica monitorar as grades que separam o parque da avenida. Uma viatura da Polícia Militar também estava no interior do parque.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública estadual afirmou que o policiamento foi reforçado na região e que mantêm ações permanentes e integradas no espaço. "Como resultado desse trabalho, de janeiro a novembro de 2025, os números de roubos e furtos em geral apresentaram queda de 10,61% e 12,25%, respectivamente, na área do 23° Distrito Policial (Perdizes), responsável pela região."
De acordo com os dados da pasta, de janeiro a novembro de 2025 foram cerca de 8.800 furtos na região da delegacia, ante 10 mil no ano anterior. Além do parque, a área compreende também estações de trem e de metrô e o Allianz Parque, espaços com grande circulação de pessoas. Já os roubos passaram de 2.500 em 2024 para 2.300 no ano passado.