TERESINA, PI (FOLHAPRESS) - Em um cenário no qual a segurança pública é discutida sob calor das divisões políticas, Francisco Lucas Costa Veloso, 41, apostou na frieza da inteligência de dados, no apoio de pesquisadores e na integração das forças policiais para reverter indicadores da criminalidade do Piauí.

Ancorado na experiência de três anos como secretário estadual, Chico Lucas foi anunciado nesta semana para o comando da Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, tendo como missão liderar uma área estratégico para o governo Lula (PT).

O convite foi feito pelo novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, em uma indicação que teve o apoio do Consesp, órgão reúne os secretários estaduais de segurança.

Chico Lucas é advogado, formado em direito pela Universidade Federal do Piauí e procurador do estado desde 2009. É filiado ao PT e nome de confiança do governador do Piauí, Rafael Fonteles, do mesmo partido ? eles se conhecem desde a juventude, quando estudaram na mesma escola.

Começou sua trajetória profissional na Polícia Rodoviária Federal aos 19 anos e se tornou procurador aos 25. Foi presidente da seccional da OAB (Ordem dos Advogados Brasil) no Piauí entre 2016 e 2018.

Ao assumir a Secretaria de Segurança Pública do Piauí em 2023, ele focou em uma estratégia de terra ocupada com blitze nas vias das maiores cidades do estado. Com essa ação, ele ganhou o apelido de "Chico Blitze".

Enquanto buscava reforçar a presença policial nas ruas, montou uma equipe formada por mais de 50 pesquisadores, dentre mestres e doutores, para conceber políticas públicas para segurança do estado.

O resultado foi uma redução expressiva dos índices de criminalidade. Entre 2022 e 2025, houve queda no número de mortes violentas (31%), roubos de veículos (38%) e nos roubos em geral (49%). As mortes decorrentes de ação policial também tiveram queda ?foram apenas 20 casos em 2025.

Os números destoam dos demais estados governados pelo PT no Nordeste, caso da Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte, que enfrentam um cenário de crise com disputas entre facções.

Sua principal vitrine na secretaria, contudo, foi o programa para recuperação de celulares roubados e furtados, estratégia que virou referência nacional e foi adotado pelo Ministério da Justiça, em 2024.

O projeto conseguiu reduzir o roubo e furto de celulares em 53% e recuperou mais de 14 mil aparelhos no estado. O modelo foi replicado em ao menos nove estados, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro.

Outra iniciativa foi a criação do BO Fácil, aplicativo que permite registrar Boletim de Ocorrência, realizar denúncias anônimas e acionar número 190 por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp.

No Piauí, ficou conhecido por aliar um perfil linha-dura com a defesa de políticas voltadas para garantia dos direitos humanos. É apontado como um articulador pragmático e que não teme brigas políticas

No início da gestão, enfrentou discussões acaloradas ao lançar o programa "Pacto pela Ordem", um pacote de 13 medidas para combate ao crime organizado. As novas leis deram mais rigor a punição de crimes envolvendo policiais e criou fundo um fundo para apoiar vítimas de violência.

Entusiasta da tecnologia, ele investiu em videomonitoramento e abriu concurso para contratação de 3.000 policiais. Em três anos, ampliou o número de prisões em aberto e de apreensões de drogas.

Mesmo com a redução de crimes, o secretário enfrentou gargalos como o avanço das facções criminosas e o aliciamento de jovens para o crime. As ocorrências de tráficos de drogas aumentaram em 117% nos últimos dois anos com 2.650 registros, segundo indicadores do governo.

As facções diversificaram a atuação no estado, migrando para a lavagem de dinheiro, falsificação de bebidas e comércio dos postos de combustíveis e outros crimes. "Elas disputam territórios e aliciam jovens que são vulneráveis. É preciso reforçar ações nas áreas educacional e social", avalia o sociólogo Arnaldo Eugênio, especialista em segurança pública.

Em dezembro, integrado com a polícia de São Paulo, a segurança do Piauí prendeu empresários na operação Carbono oculto 86 e interditou cerca de 40 postos de combustíveis ligados ao PCC.

Agora, em Brasília, terá como desafio avançar discussão para aprovar a PEC da Segurança no Congresso Nacional, enfrentar a oposição dos governadores de direita e articular ações para combater as facções criminosas.