SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O domingo (25) foi marcado por uma celebração no parque Ibirapuera, em São Paulo. Nada a ver com o aniversário da capital. O motivo de festa era a marquise projetada por Oscar Niemeyer, reinaugurada após quase seis anos.
A abertura oficial do espaço ocorreu no sábado (24), mas muitos grupos se organizaram para visitá-lo a partir neste domingo.
A família Ferreira, por exemplo, saiu às 11h do Jardim Ângela, no extremo sul paulistano, rumo ao Ibirapuera. Felipe, Andréia e seus dois filhos, Noah e Arthur, fugiam do calor no local depois e um piquenique.
"Os meninos, com 4 e 5 anos, nunca tinham visto esse espaço funcionando", diz Andréia, 33, analista de recursos humanos. "Eles ficaram encantados com tanta gente."
O vão embaixo da estrutura de concreto esteve cheio durante todo o dia, e abarrotado em alguns momentos. Eram crianças com patins, adultos em skates e todas as faixas etárias sobre bicicletas.
Ainda tinha espaço para alguns dançarinos e pessoas cansadas que só buscavam encosto após longas caminhadas pelo passeio.
"Triste ter demorado tanto para reabrir", diz Giuliana Kruhl, 55, auditora fiscal e vizinha do Ibirapuera, como ela mesma se descreveu. "Hoje, trouxe minha neta de sete anos para brincar de patins com as amiguinhas. Não é maravilhoso ter um espaço assim?"
Por problemas estruturais, a marquise fechada em agosto de 2020. Sua reforma começou apenas em 2024, após o investimento de R$ 84 milhões da prefeitura no parque administrado pela concessionária Urbia.
A obra incluiu a troca dos forros do teto, impermeabilização e novos pisos. Por se tratar de um espaço tombado, as intervenções passaram por órgãos de preservação do patrimônio, o que provocou atrasos e aditivos ao longo da obra.
O espaço foi dividido por fitas coladas ao chão, sem grades, delimitando áreas para skate, patins e BMX e um setor infantil, destinado a crianças com bicicletas de até aro 16.
A marcação ainda confunde e divide o público, segundo depoimentos recolhidos pela reportagem neste domingo. Alguns acham ser muito burocrática e um ataque à liberdade dos frequentadores. Outros afirmam ser justa e segura.
O espaço exclusivo para crianças, porém, é unanimidade.
Segundo a Urbia, a reabertura da marquise cria um custo adicional de cerca de R$ 3,5 milhões por ano. Parte do espaço poderá ser usada para exposições culturais, mediante análise da concessionária e das autoridades.
Duas áreas no entorno do equipamento seguem fechadas: o MAM (Museu de Arte Moderna de São Paulo), que passa por reforma sem prazo definido para conclusão, e um espaço previsto para restaurante, cuja nova planta está em discussão.