Um adolescente de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, teve a internação determinada pela Justiça em estabelecimento educacional, pelo prazo mínimo de dois anos, por liderar grupos virtuais que planejavam ataques a igrejas e escolas. A decisão foi proferida nessa quarta-feira (28).

De acordo com a apuração, o jovem exercia papel de liderança em comunidades virtuais fechadas, conhecidas como “panelas”, formadas por integrantes de diferentes regiões do país. Os grupos mantinham vínculos estáveis, com divisão funcional de tarefas, voltadas ao incentivo e ao planejamento de atos de terrorismo doméstico, além do compartilhamento e armazenamento de pornografia infantil e da prática de condutas de extrema violência contra pessoas e animais.

As investigações apontaram que a associação atuava de forma contínua, com interações registradas entre novembro e dezembro de 2025, incluindo coordenação logística para obtenção de armamentos, fabricação de artefatos incendiários e articulação com grupos estrangeiros, com o objetivo de dar repercussão internacional às ações violentas planejadas.

Nas conversas analisadas, foram identificados planejamentos de ataques a templos religiosos, massacres em escolas, sequestro e tortura de pessoas em situação de rua, além de vídeos envolvendo maus-tratos a animais. Também foram constatadas práticas como indução à automutilação e ao suicídio e atos libidinosos sob ameaça.

Segundo a decisão judicial, as mensagens revelam motivação baseada em ódio racial e religioso, com manifestações de ideologia nazista e declarações hostis direcionadas a evangélicos. O adolescente se destacava por incentivar a violência e fornecer instruções técnicas para a execução de ataques coordenados em diferentes estados.

O juiz destacou a multiplicidade e a gravidade dos atos infracionais, incluindo associação criminosa, atos preparatórios de terrorismo, crimes contra a dignidade sexual, induzimento à automutilação e ao suicídio, maus-tratos a animais e crimes relacionados à pornografia infantil. O adolescente permaneceu internado durante toda a instrução processual e teve negado o direito de recorrer em liberdade.

Tags:
Adolescente | Ataque | escola

Freepik - Reprodução

COMENTÁRIOS: