SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os registros de roubos na cidade de São Paulo ao longo de 2025 mostram que bairros com perfis socioeconômicos distintos, tanto na periferia quanto no centro expandido, estão entre aqueles com incidência mais frequente desse tipo de crime.

Três dos 10 distritos policiais com os maiores registros de roubo --Capão Redondo, Campo Limpo e Parque Santo Antônio-- estão em áreas periféricas da zona sul da capital paulista. Ao mesmo tempo, bairros ricos da zona oeste --Pinheiros e Perdizes-- e com perfil diversificado na região central --Sé, Campos Elíseos e Pari-- também estão entre as áreas com alta incidência de assaltos.

Os nove distritos com os maiores índices de roubo registram ao menos cinco casos por dia. À exceção do Parque Santo Antônio, todos tiveram redução na quantidade de casos.

A cidade de São Paulo teve um total de 98,3 mil roubos e mais de 250 mil furtos registrados no ano passado. São cerca de 955 ocorrências por dia, ou uma a cada um minuto e meio, somando-se as duas categorias criminais.

Os registros de roubo tiveram redução de 14,6% no município, em comparação com 2024, alcançando o menor patamar da série histórica iniciada em 2001. Os furtos aumentaram em 3,6% na cidade.

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) destacou o patamar de mínima histórica dos roubos na capital paulista. "Pela primeira vez em 25 anos, o total de casos ficou abaixo da marca de 100 mil ocorrências", disse a pasta. "No período, os roubos de cargas e de veículos também alcançaram os menores patamares históricos."

Pesquisas apontam que roubos e furtos têm alto índice de subnotificação. Levantamento feito pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no ano passado, mostrou que apenas 6 em cada 10 vítimas de roubo fazem o boletim de ocorrência.

O 47º DP, no Capão Redondo, recebeu a maior quantidade de queixas por roubo na cidade de São Paulo ao longo de 2025. Foram 3.836 casos notificados ao longo do ano, além de 2.917 furtos.

Em outubro, quando a região já despontava como a campeã de roubos na cidade, reportagem da Folha mostrou como moradores do Capão Redondo evitam caminhar sozinhos a pé pelas ruas do bairro. Passageiros de metrô e ônibus são aguardados por parentes ou amigos nas estações e formam pequenos grupos para caminhar pequenas distâncias.

Campo Limpo, também na zona sul, e Pinheiros, na zona oeste, têm os distritos com o segundo e terceiro maior número de registros de roubo --com 3.506 e 3.144 ocorrências registradas em um ano, respectivamente. Os dois tiveram redução na quantidade de registros, de 7,9% e 11,8%.

Em Pinheiros, a rotina de alguns moradores mudou com a alta frequência de assaltos, em geral feita por ladrões em motocicletas. A rua Joaquim Antunes se tornou um dos símbolos dessa dinâmica criminal, com 45 roubos e furtos registrados de janeiro a agosto, num trecho de menos de 1 km. Cartazes com avisos sobre a "área com alto índice de assaltos a mão armada" foram espalhados na rua e nos arredores.

Isso ocorreu após um turista de 23 anos ser morto depois de reagir a um roubo de celular. Vitor Rocha e Silva, 23, e o namorado passavam a pé pela rua Joaquim Antunes, nas proximidades de um viaduto, quando foram abordados por um criminoso em uma moto. De Uberlândia (MG), ele era formado em relações internacionais.

As estatísticas anuais publicadas pela SSP na última sexta-feira (30) mostram que os latrocínios (assaltos seguidos de homicídio) caíram 26% no ano passado, de 53 para 39 vítimas. Isso ocorreu após um aumento de 23% nesse tipo de crime na cidade de 2023 para 2024.

Entre os 93 DPs da cidade de São Paulo, 9 tiveram aumento nos registros de roubo entre 2024 e 2025. Eles também têm perfis socioeconômicos variados e estão dispersos em regiões diferentes da cidade.

No Tatuapé, zona leste, o 30º DP teve alta de 35% na notificação de roubos --a maior em toda a cidade. Em seguida estão Parque Santo Antônio (aumento de 22%) e Vila Sônia (12,2%).

Centro concentra furtos

Distritos da região central de São Paulo concentraram os maiores índices de furtos em 2025, numa dinâmica que não coincidiu com as queixas de roubo. Formalmente, o crime de furto é aquele em que o criminoso não usa violência nem ameaça para levar dinheiro ou algum item do patrimônio da vítima.

Quando o assaltante não está armado, casos em que as vítimas perdem celulares para as "gangues de bicicleta", por exemplo, costumam ser registradas como furto.

O Pari, na região central, teve a maior quantidade de furtos na cidade em 2025, com 9.771 ocorrências --ao menos 26 por dia. Em seguida estão o 1º DP, da Sé (com 9.739 casos), e o 23º DP, de Perdizes (9.581).

Pinheiros, Campos Elíseos, Jardins, Consolação, Santo Amaro, Brás e Carandiru completam a lista dos dez distritos policiais com maior quantidade de registros de furto. À exceção de Santo Amaro (zona sul) e Carandiru (zona norte), todos estão no centro expandido.

Mais da metade dos DPs de São Paulo --59 do total de 93-- tiveram aumento nas queixas por furto. Assim como no caso dos roubos, o 30º DP do Tatuapé também teve o maior aumento proporcional de furtos, com alta de 34%.

Vila Jacuí e Vila Ema, também na zona leste, também estiveram entre as dez regiões com maiores aumentos na comunicação de furtos --os índices subiram 26% e 22%, respectivamente.

A capital teve uma pequena redução nos registros de roubos e furtos de celulares, quando somados. Foram 161.666 casos reportados em 2025, 1% a menos do que no ano anterior.