SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma operação deflagrada nesta segunda-feira (2) pela Polícia Civil de São Paulo mirou um grupo que planejava, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), atacar locais da avenida Paulista com bombas caseiras e coquetéis molotov.
Uma ação semelhante foi feita no Rio de Janeiro contra suspeitos de prepararem um atentado com explosivos no centro da capital fluminense.
Os dois ataques estavam previstos para acontecer nesta segunda, de acordo com os investigadores.
Os atentados eram planejados pelas redes sociais e se concentravam no Telegram. Ao todo, 12 suspeitos foram detidos em São Paulo -seis deles teriam posições de comando nos ataques, de acordo com a polícia- e conduzidos para prestar esclarecimentos.
Os explosivos não foram encontrados. A SSP disse que ainda investiga o paradeiro dos artefatos. Um simulacro de arma foi apreendido.
A operação do Rio resultou na prisão de três suspeitos e no cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão em endereços na capital, na Baixada Fluminense e nos municípios de Rio das Ostras e Piraí.
O grupo suspeito, que se autodenominava "Geração Z", incitava e planejava atos de violência e terrorismo, segundo a polícia fluminense. A chamada geração Z é formada por pessoas nascidas em meados e no fim dos anos 2000 e ao longo dos anos 2010. De acordo com a Polícia Civil, um dos investigados tem 16 anos.
A SSP diz ter descoberto uma cartilha compartilhada nesses grupos em que organizadores dos protestos orientavam os envolvidos -que incluem adolescentes- a levar bloqueadores de sinais de celular para evitar que órgãos de segurança fossem acionados. O manual ainda ensinava a detectar policiais durante os protestos.
Segundo delegado-geral da Polícia Civil de SP, Arthur Dian, esses grupos tinham cerca de 8.000 participantes, pelo menos 600 dos quais da capital paulista. As prisões ocorreram na cidade de São Paulo, Osasco, São Caetano e em Botucatu.
O grupo, de acordo com a SSP, não tinha motivação política e seria contra governos em geral. "Eles querem a chamada liberdade e não querem ser governados por ninguém. Uma ideia um pouco absurda", disse Dian.
As investigações foram conduzidas pelo setor de inteligência do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil. A Divisão de Crimes Cibernéticos também participou.
Os apreendidos ou detidos na operação desta segunda são em sua maioria jovens e têm entre 15 e 30 anos. Segundo a SSP, eles admitiram integrar os grupos quando foram abordados, mas disseram que o caso se tratava de uma "brincadeira".