SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Três policiais militares suspeitos de fazer a segurança do dono da empresa de ônibus Transwolff, investigada por elo com o PCC, são alvo de uma operação da corregedoria da PM de São Paulo nesta terça-feira (4).
Além dos três mandados de prisão temporária, são cumpridos 16 mandados de busca e apreensão na operação. Os nomes dos policiais alvos da operação não foram divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Pedidos de prisões são resultados da conclusão da Operação Fim da Linha, de 2024. A investigação em questão apontou o possível envolvimento de policiais na segurança patrimonial e pessoal de empresas investigadas por irregularidades. Veja mais sobre ela abaixo.
Serviços de segurança privada foram prestados por PMs da Rota ao dono da Transwolff em 2020, segundo apuração do colunista do UOL Josmar Jozino. Um ano antes da contratação dos serviços, os diretores da viação já eram investigados pelo MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) por suspeita de organização criminosa.
Em novembro de 2020, a Transwolff emitiu nota fiscal para uma empresa de segurança ligada a um então capitão da Rota. Nota para a companhia, sediada em Santana, zona norte da capital, tinha o valor de R$ 20.006,70 pelos serviços prestados à diretoria da companhia de ônibus.
O MP-SP apurou que um sargento da Rota recebeu R$ 4.000. Outro sargento da tropa de elite da corporação ganhou R$ 2.000 e um cabo ficou com R$ 6.000. A Transwolff também pagou R$ 3.725 para um policial militar e mais R$ 275 para outro PM.
Sargento da Rota foi alertado por superiores sobre o perigo de trabalhar para a companhia. O alerta aconteceu em setembro de 2020, dias após a Operação Sharks mirar em 20 integrantes do PCC acusados por lavagem de dinheiro. A advertência foi feita porque um dos acusados na Operação Sharks era Gilberto Flares Lopes Pontes, o Tobé, irmão de Robson Flares Lopes Pontes, um dos diretores da Transwolff.
Tobé e os outros 19 comparsas denunciados na Operação Sharks foram acusados pelo MP-SP de movimentar R$ 1 bilhão do PCC, provenientes do tráfico de drogas. A movimentação teria acontecido no período de janeiro de 2018 a julho de 2019. Tobé foi morto pelo tribunal do crime da facção em agosto de 2021.
CONTRATO DA EMPRESA COM PREFEITURA FOI ROMPIDO
Empresa está sob intervenção desde 9 de abril de 2024, quando investigações sobre suposto elo com o PCC começaram. A gestão municipal diz ter dado espaço para que a concessionária se defendesse, mas as defesas da Transwolff não foram acolhidas.
A caducidade dos contratos entre a prefeitura e a Transwolff foi publicada em 4 de dezembro de 2025. De acordo com o decreto, relatórios realizados durante o período de intervenção na empresa apontaram quadro crítico e insustentável da concessionária.
Denúncia do Ministério Público de São Paulo diz que Transwolff lavou R$ 54 milhões vindos das atividades criminosas do PCC. O dinheiro teria sido convertido em ativos lícitos e utilizados na atividade econômica da empresa, para aumentar o capital social, habilitá-la e capacitá-la para a licitação da prestação do serviço de transporte público em São Paulo.
Transwolff nega crime. "A empresa e seus dirigentes jamais mantiveram qualquer relação com atividades ilícitas, e essa verdade será comprovada no curso do processo judicial, que tramita sob sigilo", afirmou a defesa da concessionária e do presidente afastado da companhia, Luiz Carlos Efigênio Pacheco.