SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Carnaval deste ano é brilhante ?literalmente. Saias de paetê, tops metalizados e maquiagem cintilante tomam conta das lojas em São Paulo, onde o brilho virou regra: no rosto, no corpo, na roupa e até no cabelo, sempre em fantasias leves para sobreviver ao calor, à chuva e à rua.
Essas são algumas das características que a reportagem encontrou na região da 25 de Março, no centro de São Paulo ?local conhecido pelo comércio popular e pela venda de fantasias e outros apetrechos da folia. Entre vitrines lotadas e corredores cheios, glitter, paetê e maquiagem colorida dominam as prateleiras às vésperas da festa.
Com o Carnaval vivido majoritariamente ao ar livre, foliões deixam de lado fantasias fechadas e apostam em acessórios, maquiagem e peças que aguentem horas de sol, suor e uma chuva rápida, sem interromper a festa. "Como é Carnaval de bloco de rua, não pode pôr muita fantasia quente", resume Pierre Sfei, dono de uma das maiores lojas de fantasia da região, ao explicar por que saias de tule, tops, óculos, chapéus e glitter lideram a procura.
Essa preferência pelo leve se traduz também na forma como o brilho aparece. Ele não está só na roupa, mas espalhado pelo corpo em diferentes versões. "Este ano o pessoal quer brilho, só mais brilho mesmo", diz Vera Lúcia dos Santos, gerente de uma loja de fantasias, enquanto caminha entre prateleiras de glitter em pó, spray, gel e barra. Segundo ela, as máscaras perderam espaço. "O pessoal tá mais maquiado. Todo brilhante."
Na prática, a maquiagem virou fantasia. Glitter no rosto, tinta cintilante nos braços, gel brilhante espalhado pelo corpo e ombreiras completam produções pensadas para durar o dia inteiro. "Este ano não tá saindo tanto máscara, tá mais brilho", reforça Vera Lúcia, apontando a alta procura por tintas corporais e produtos fáceis de aplicar, que resistem ao calor e ao suor.
Entre os mais jovens, o brilho vem acompanhado de cor e combinação. Isabele Ribeiro, de 20 anos, circulava pela loja em busca de acessórios para montar uma fantasia inspirada no universo da Barbie. "A gente tá procurando uma fantasia meio Barbie, boné ou chapéu rosa, top metalizado, colorido", contou. A produção foi combinada com as amigas. "A gente vai de rosa e roxo. É top colorido, brilho e é isso."
O brilho não tem idade ? nem fronteira. A poucos metros dali, a brasileira Gabriela Piedade, de 51 anos, e o alemão Andre Schürrle, 58, procuravam acessórios para o primeiro Carnaval dele.
Ritmista, Piedade quer apresentar a festa ao marido do jeito que conhece desde sempre: com bloco, música e paetê. "Quero mostrar para ele o Carnaval, para se apaixonar tanto quanto eu sou apaixonada", disse. O roteiro começa no Rio de Janeiro e termina em São Paulo, entre desfiles, blocos e instrumentos. Para ela, o figurino é simples: "Eu vou usar uma roupa de paetê. Ele só vai com o negócio na cabeça mesmo."
Os foliões pensam na fantasia da cabeça aos pés. Além da roupa, o cabelo virou parte central da composição, com cores vibrantes, brilho e referências do K-pop. Na loja de cabelos e perucas, a procura se concentra menos em fantasias fechadas e mais em cabelo e acessórios. "Aqui sai muita peruca colorida", diz a vendedora Rosângela Barbosa de Oliveira, 36, há quase cinco anos no comércio da região.
Ela destaca que nesta época do ano o movimento cresce e os pedidos se diversificam. "É tudo um pouco: fantasia, peruca, acessório, adereço. Mas aqui na loja é mais cabelo."
Os clientes costumam chegar já pensando na combinação com a roupa. "Eles procuram a peruca e falam como é a roupa. Agora é moda da guerreira de K-pop", afirma.
"Se a roupa é clara, eles querem um cabelo loiro. Se é verde, procuram uma peruca verde. Ou então fazem aquela combinação perfeita de todas as cores."
Além das perucas, produtos para mudar o visual rapidamente também ganham espaço. "Sai muito spray para pintar o cabelo, gel e glitter", diz. Tem ano que querem só peruca cacheada, tem ano que querem lisa. Tem ano que é mais adereço, brinco, glitter, spray colorido."
Aos 77 anos, Cecília Gabriel prova que a festa não perde fôlego com o tempo. "Eu nasci no Carnaval", diz. Ex-dirigente de escola de samba em Taubaté, ela mantém uma agenda intensa entre Rio e São Paulo e não abre mão do figurino clássico. "Dourado não pode faltar."
O movimento intenso dentro das lojas acompanha o ritmo dos blocos. Segundo Vera Lúcia, a circulação diária passa facilmente de uma centena de pessoas e cresce nos fins de semana, quando famílias inteiras ? de avós a netos ? circulam entre araras e prateleiras. Não é raro que alguém entre apenas para "dar uma olhada" e saia pronto para a folia. "Já chegou cliente para sair vestido daqui no mesmo dia", conta. "A gente ajuda a improvisar o Carnaval dele."