SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de São Paulo apreendeu o carro usado pelo piloto suspeito de liderar uma rede de abuso infantil.

O veículo, uma Mercedes-Benz, foi periciado para verificar se foi utilizado no transporte das crianças. A defesa do piloto ainda não foi localizada. O espaço fica aberto para manifestações.

O piloto foi preso em flagrante e será encaminhado para audiência de custódia nesta terça-feira (10). Conforme a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o veículo foi devolvido para a família após a realização da perícia.

As vítimas eram levadas a motéis pelo homem, que usava documentos falsos, segundo a polícia. Uma das meninas foi espancada por ele em um motel na semana passada.

O piloto foi preso dentro de aeronave, durante o embarque de passageiros, na manhã de ontem. Ele é suspeito de abusar sexualmente de crianças que seriam "vendidas" por familiares. Uma dessas pessoas era uma avó de 55 anos que também foi presa ontem. A mãe de outra criança também foi detida por suspeita de participar gravando vídeos da menina e enviando ao homem.

Homem participava da rede de exploração havia pelo menos oito anos, segundo a Polícia Civil. O homem chegou a pagar um aluguel em troca de imagens de exploração sexual.

O piloto tem filhos de um primeiro relacionamento e é casado pela segunda vez. Segundo a polícia, a esposa não tinha conhecimento dos crimes e está "inconformada".

Ele mandava valores que variavam entre de R$ 30 a R$ 100 para as responsáveis pelas vítimas. A informação foi confirmada pela delegada Ivalda Aleixo, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Polícia encontrou o suspeito após pedir ajuda da companhia aérea. "Tínhamos dificuldade de encontrá-lo porque não sabíamos quando ele ia voar ou não. Pedimos a escala para a empresa", detalhou Ivalda Aleixo.

Ao menos dez vítimas foram identificadas. Conforme a polícia, no entanto, são "dezenas de outras", uma vez que o celular dele foi aberto com autorização judicial. Piloto fez ao menos três vítimas, que são irmãs: meninas de 10, 12 e 18 anos -uma delas era abusada desde os 8 anos, de acordo com a polícia.

Outras duas pessoas são investigadas pela polícia na operação chamada de Apertem os Cintos. Os investigados podem responder por estupro de vulnerável, favorecimento de prostituição e exploração sexual de criança de adolescente.

Mandados também foram cumpridos ontem na casa do suspeito, que mora em Guararema, na Região Metropolitana de São Paulo. Ao todo, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos.