RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - A publicação de um vídeo na cobertura do bloco Os Cão, no Carnaval da Redinha, em Natal, desencadeou uma série de ataques virtuais ao repórter Fernando Azevêdo, da Tribuna do Norte, na terça-feira (18). As mensagens, feitas no perfil do jornal, direcionaram ofensas à aparência do jornalista.
"A gente estava na cobertura in loco, lá do bloco, e eu gravei uma passagem [quando o repórter aparece no vídeo], foi a primeira vez que eu gravei uma passagem para o jornal. Eu sou um jornalista, mas um jornalista discreto. Quero que as pessoas leiam [as minhas reportagens] e que isso chegue à sociedade", afirmou Azevêdo, que em 2025 participou do 69º Programa de Treinamento em Jornalismo Diário da Folha de S.Paulo.
Ele enviava atualizações em tempo real ao portal quando decidiu verificar os comentários na publicação do vídeo.
"Quando eu soube que a minha imagem estaria no jornal, eu imaginei que poderia ter comentário negativo porque era a primeira vez gravando o vídeo. Pensei que um dos comentários seria de que eu falo rápido, porque isso é uma coisa que sempre falam de mim", relatou.
"E aí já vi os comentários bem pesados sobre a minha aparência. Eu fiquei muito desconfortável. Inicialmente, não foram comentários sobre o meu trabalho. Foram comentários sobre a minha aparência, comentários muito maldosos."
Azevêdo diz que recebeu apoio de colegas da Redação e de leitores. Ele voltou ao trabalho na quarta-feira e afirma estar em contato com advogado disponibilizado pela empresa.
"Eu vou buscar os meus direitos, meu direito a respeito, a dignidade profissional", disse.
Diretora de Redação da Tribuna do Norte, Margareth Grilo afirmou que o caso está sendo avaliado pela assessoria jurídica do grupo.
"As críticas ao conteúdo, quando ocorrem, estão protegidas pela liberdade de expressão, enquanto ataques pessoais podem, em determinadas situações, configurar ofensa à honra, com possíveis reflexos nas esferas cível e criminal", disse.
A empresa afirmou que passou a moderar os comentários no dia dos ataques e publicou nota em que repudia "todo e qualquer tipo de discriminação, preconceito ou intolerância".
O Sindjorn (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Norte) declarou que acompanha o caso e pretende solicitar reuniões com a Polícia Civil e o Ministério Público para discutir procedimentos de apuração.
"É fundamental que haja responsabilização, porque isso tem efeito pedagógico e ajuda a conter esse tipo de comportamento", informou a entidade.
O sindicato afirmou ainda que episódios desse tipo não são isolados e que tem observado "um ambiente cada vez mais hostil ao exercício do jornalismo, especialmente nas redes sociais".