PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de Pernambuco investiga uma denúncia de agressão motivada por homofobia durante o carnaval de Olinda.
O arquiteto Augusto Mendonça, 40, relatou nas redes sociais que a agressão ocorreu na noite de domingo (15), quando estava vestido como drag queen.
Ele estava no Centro Histórico da cidade para encontrar amigos e caminhava por uma rua quando passou por um grupo de cinco jovens, na região do Bairro Novo.
"O primeiro grupo passou por mim e falou: 'olha que bicha feia', e eu disse 'boa noite'", relatou Augusto nas redes sociais.
Augusto, que estava de maquiagem e usando uma peruca, conta que seguiu caminhando por medo de reagir à ofensa. Em seguida, um segundo grupo de cerca de dez pessoas se aproximou, e uma delas teria dito "olha, pega para tu", referindo-se a Augusto.
Pouco depois, Augusto recebeu um golpe, que suspeita ter sido um soco ou um tapa, que atingiu seu olho direito.
Segundo ele, o grupo seguiu caminhando após o ataque. "O sentimento que me deu naquela hora foi de revolta, foi de ir para cima mas eu não podia fazer nada", disse Augusto.
Ele recebeu ajuda de um vendedor ambulante, que lhe deu gelo para colocar no ferimento no olho direito.
Depois, procurou atendimento médico no Recife após o ataque, onde fez curativos.
O arquiteto afirmou que ficou com vergonha de contar a pessoas próximas que havia sido agredido e justificou o ferimento dizendo que havia caído da rede. "Eu não queria atrapalhar o Carnaval das pessoas", disse.
A ocorrência foi registrada na quinta-feira (19), e a polícia confirmou que o caso está em apuração.
"A gente incomoda enquanto existência, a gente incomoda simplesmente por ser mais alegre, por ser mais livre", disse Augusto. Ele conta que decidiu compartilhar o caso publicamente para fortalecer a luta contra a homofobia.
"Eu não vou ficar calado", afirmou. "Isso só vai servir de alimento, instrumento e combustível para eu seguir cada vez mais de cabeça erguida."