Cariocas e turistas que visitam do Rio de Janeiro se despedem do carnaval neste fim de semana com pompa e circunstância. Além de blocos de diversos tamanhos nas ruas e avenidas da cidade, quem for hoje (sábado, 21) ao sambódromo assistirá a partir das 21h o desfile das campeãs do grupo especial.
Pela ordem se apresentarão as seguintes escolas de samba: Mangueira (6ª colocada), Imperatriz Leopoldinense (5ª), Salgueiro (4ª), Vila Isabel (3ª), Beija-Flor (2ª) e, finalmente, a Unidos do Viradouro, campeã com pontuação máxima (10) em todos os quesitos (total 270 pontos).
Leia aqui sobre o enredo de cada escola que se reapresenta.
Deverá ser mais uma noite de muita alegria na vida de Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, que comanda a bateria da Viradouro. Ele é o tema do enredo da escola campeã que se reapresenta mais tarde.
O carnaval vencido pela quarta vez pela escola de samba de Niterói inovou desde a escolha do enredo. Prá cima, Ciça faz homenagem em vida a um elemento da própria gremiação. O desfile ocorreu na última segunda-feira (16).
Mestre dos mestres - Ciça tem currículo para tanto. Em julho completa 70 anos, desses 55 foram dedicados ao carnaval, acumulando experiência de passista a ritmista em diferentes escolas, para virar mestre dos mestres, como é reconhecido pelos colegas de outros barracões.
A frente da Furacão Vermelho e Branco, como é chamada a bateria da Viradouro, Ciça comanda a parte mais importante de uma escola de samba. Quem faz o andamento, quem imprime ritmo ao enunciado do samba enredo, é a bateria, explica o sociólogo Rodrigo Reduzino, pesquisador do carnaval carioca entre outros interesses acadêmicos.
Para o especialista, a bateria é mais que um órgão vital no desfile. Pode ser que - a bateria seja como o coração. Mas também é parte integrante de um corpo, de um sistema como um todo.
Mestres de bateria, como Ciça, regem os passos do cortejo do corpo que é a escola de samba. Para isso, eles têm dons e aprendizagem especiais, assinala Rodrigo Reduzino.
Precisa ter ciência e saber. Não é o saber de universidade. É um saber intelectual ancestral de lidar com esse conjunto, a ponto de direcionar o melhor ritmo e andamento para esse corpo.
Incorporar ao apito e à batuta discernimento, ciência, sabedoria e conhecimento não acontece de um dia para noite, salienta o pesquisador.
O samba não se aprende no colégio, como cantava Noel Rosa (em Feitio de Oração). Instruções e entendimentos que são passados na oralidade, na vivência, na experiência junto aos seus cotidianamente. E a continuidade da sua ancestralidade que imprime a marca da bateria, finaliza Rodrigo Reduzino.
Tags:
Bloco | Carnaval 2026 | Mestre Ciça | Rio de Janeiro | Unidos da Viradouro