SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - É, não tem jeito. Com o fim do Carnaval e a volta às aulas, chegou a hora de encarar aquela lista de metas que você prometeu colocar em prática nos próximos meses. E se 2026 é o ano de tentar uma vaga na universidade, a preparação até o Enem e outros vestibulares não pode ficar para depois.
Mas antes de começar a maratona de estudos, existe um passo que faz toda a diferença para tornar o percurso mais organizado e eficiente (e que muita gente pula): o planejamento.
Especialistas consultados pela Folha falam de como traçar melhores metas e também o que é preciso fazer para não deixá-las para trás.
Estudante que se prepara para o vestibular faz resumo de conteúdo em cursinho de SP Lucas Seixas - 8.jul.25 Folhapress Uma pessoa está escrevendo em um caderno aberto, com anotações visíveis. As mãos estão segurando uma caneta e há várias páginas de cadernos empilhadas abaixo. O caderno tem folhas amareladas com anotações manuscritas, incluindo fórmulas e desenhos. O fundo é desfocado, sugerindo um ambiente de estudo. Imagem pequena
Defina o curso e a universidade primeiro
"Estudar tudo" parece ser a meta ideal, mas na verdade é o primeiro erro de quem está se preparando para o vestibular.
Para o professor Cláudio Hansen, gerente pedagógico da plataforma Descomplica, o planejamento precisa passar de um objetivo amplo para metas definidas e ser estruturado de trás para frente, a partir das exigências da universidade pretendida.
"Para isso, a escolha do curso e da universidade não é apenas um detalhe, é o ponto central do planejamento. Cada instituição e cada curso atribuem pesos diferentes às áreas do Enem. Isso significa que a estratégia de estudo muda completamente dependendo dessa decisão", explica Hansen.
Com essa definição, o estudante passa a ter uma gestão de tempo de forma mais eficiente e a concentrar esforços nas disciplinas que influenciam na aprovação.
"Esse é o ouro do planejamento: direcionar mais energia e tempo para as disciplinas que realmente fazem diferença no cálculo da nota. É possível delinear uma meta de pontuação alinhada aos pesos específicos e calcular a distância entre o desempenho atual e o necessário", afirma o educador.
Nesse contexto, metas de curto prazo, sejam semanais ou mensais, funcionam como indicadores de avanço, ajudam a reduzir a pressão emocional e permitem ajustes rápidos.
"É fundamental que o próprio estudante crie essa rotina de diagnóstico por meio de simulados periódicos, que indicam onde os acertos ainda não estão no nível necessário. Pequenas conquistas frequentes fortalecem a autoconfiança", afirma Hansen.
Fator emocional também entra na conta
Mesmo com planejamento, as emoções podem influenciar no sucesso ou fracasso das metas estabelecidas. Um erro comum é que o entusiasmo do início do ano dê lugar ao cansaço e até à frustração nos meses seguintes.
"No início do ano, há uma energia renovada e um senso de 'recomeço'. No entanto, ao longo dos meses, o estudante se depara com a realidade: volume de conteúdo e resultados abaixo do esperado nos simulados", explica Leonardo Monteiro, gerente sênior de ensino médio da Fundação Bradesco.
Para Monteiro, o planejamento e suporte socioemocional devem caminhar juntos. Ter passos definidos favorece a clareza sobre o caminho e reduz a ansiedade.
"O estudante deixa de lidar com um problema genérico e passa a trabalhar com tarefas específicas e controláveis. As metas deixam de ser apenas intenções e se tornam compromissos concretos", afirma Monteiro.
Ajuste o percurso quando necessário
E mesmo com planejamento e aplicando todos os pontos, o momento mais delicado da preparação costuma ser aquele em que as metas não são cumpridas. A reação imediata, muitas vezes, é o desespero ou a tentativa de compensar o atraso com sobrecarga.
Marco Antonio Xavier, professor e diretor do Colégio Leonardo da Vinci, que integra a Inspira Rede de Educadores, faz uma analogia com os aplicativos de GPS.
"Toda vez que mudamos o caminho, o aplicativo nunca vai dizer 'desisti de você'. Ele vai dizer: 'recalculando rota'. Não está perdido se o aluno não consegue dar conta ou se não está conseguindo avançar com algum conteúdo", afirma Xavier.
Mesmo com atrasos, a orientação do diretor é não interromper o cronograma em andamento.
"Se é um conteúdo que pede pré-requisito, pegue o próximo que está começando uma teoria nova e toque a partir dali. Aquele conteúdo que não cumpriu, anote para colocar em dia num tempo à parte", orienta o diretor.
Família pode ajudar a acompanhar
O envolvimento da família neste processo de preparação e execução das metas curtas vai além do suporte financeiro. Para Xavier, os pais devem atuar como parceiros na construção e no acompanhamento das metas, contribuindo para equilibrar estudo e descanso.
"Os pais devem dialogar bastante sobre as formas de apoio. É preciso ajustar as expectativas. Temos pais que cobram demais e outros que deixam o filho solto demais. O ideal é sentar junto e planejar, garantindo essa checagem periódica, como 'está conseguindo se organizar?'", explica o diretor.
Xavier lembra que o período pré-vestibular é marcado por oscilações de humor e níveis elevados de estresse. Por isso, o ambiente familiar precisa ser um espaço de acolhimento, e o estudante precisa ter suas válvulas de escape --atividade física, aula de violão ou meditação, por exemplo.
"E nunca estimular apenas com 'você é inteligente'. Isso não basta. É preciso estimular o esforço e a tranquilidade", orienta.
Veja como montar metas curtas de estudos
Com base nas informações dos especialistas, confira como montar metas de curto prazo para os estudos:
1. Defina o curso e a universidade primeiro
2. Estabeleça uma meta clara e direcione os estudos de acordo com o curso desejado
3. Divida em metas semanais ou mensais específicas
4. Faça simulados e acompanhe os resultados para identificar os pontos de atenção
5. Recalcule a rota quando atrasar ou não cumprir a meta
O que o plano precisa incluir
Para colocar em prática as metas, os especialistas recomendam a elaboração de um plano estruturado, que detalhe:
- O que estudar: com definição de tópicos prioritários, o nível de dificuldade, o peso de cada disciplina e seus pontos fortes e fracos.
- Quando estudar: por meio de um cronograma realista, distribuindo as matérias de forma equilibrada, prevendo revisões periódicas e momentos de descanso.
- Como estudar: Usar métodos como resumos, mapas mentais, resolução de questões, revisões espaçadas, simulados e outros
- Acompanhar o próprio desempenho: com análise dos erros, controle de acertos por disciplina e ajustes de metas de estudo conforme a evolução.