SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um empresário relata ter tentado ajudar no resgate das vítimas da lancha que colidiu com píer e deixou seis mortos no Rio Grande, na divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais.
Luís Ricardo Andrade chegou ao local logo após a colisão. Em entrevista hoje à EPTV, o homem contou ser comerciante na região e ter sido uma das pessoas que auxiliou no socorro inicial antes da chegada das autoridades.
"Na hora que eu cheguei, a lancha já estava virada, no raso da água", relembrou. Ele disse ter visto um homem tentado ajudar e se juntou a ele. "Mas não tinha como acessar a parte de dentro da lancha, porque ela estava virada, então não tinha como entrar no casco", explicou.
Luís detalha que um bolsão de ar se formou na água. "Para passar, tinha um espaço mínimo, mas tinha que ter um cilindro, algum equipamento, que o pessoal foi conseguindo conforme o tempo foi passando."
O empresário fala que, apesar do empenho e tentativas, a fatalidade "já tinha acontecido" e não conseguiram socorrer todas as vítimas. "Eles saíram de um bar flutuante e iam em direção a um condomínio, mas erraram o caminho. Em vez de fazer o contorno para dentro do rio, viraram para direita, foram margeando e bateram no píer", compartilhou com a emissora a respeito dos relatos que ouviu.
SEIS PESSOAS MORRERAM
Embarcação era de Franca, no interior de SP, e tinha 15 ocupantes. A lancha colidiu na noite de sábado com um píer na margem mineira do Rio Grande, informou o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.
Três mulheres, dois homens e uma criança de cinco anos morreram. Inicialmente, os bombeiros informaram que a idade da criança seria de quatro, mas a informação foi corrigida pela Polícia Civil de MG.
Vítimas tinham entre 5 e 45 anos. Elas foram identificadas como: Bento Aredes, de cinco, que estava junto com a mãe, Viviane; Marina Matias Rodrigues, de 22 anos; Juliana Fernanda de Oliveira Silva Ferreira, de 40; Erica Fernanda Lima, de 41; e o piloto, Wesley Carlos da Silva, de 45 anos.
Nove pessoas sobreviveram e foram socorridas. Três pessoas foram levadas para atendimento médico em Rifaina (SP) e seis permaneceram no local sem lesões aparentes.
Piloto da lancha, que morreu no acidente, não tinha autorização para conduzir embarcações. Segundo o Corpo de Bombeiros de MG, o condutor foi contratado pelo grupo e não possuia habilitação na categoria Arrais-Amador, a habilitação náutica concedida pela Marinha do Brasil que autoriza uma pessoa a conduzir embarcações de esporte e recreio em águas interiores, como lanchas.
Bombeiros de MG foram acionados por volta das 23h de sábado. Rio Grande fica na margem pertencente ao município de Sacramento, em Minas Gerais, a aproximadamente 30 km do Pelotão de Bombeiros. Primeiros socorros foram realizados por equipes da Guarda Civil e da Defesa Civil de Rifaina (SP), que se encontravam mais próximas do local, até a chegada de bombeiros de Uberaba (MG).
Perícia Técnica de Araxá (MG) realizou a perícia no local com apoio da PM. Também foi feita comunicação à Capitania dos Portos responsável, informada como Barra Bonita.
Marinha vai investigar o caso. Em nota enviada ao UOL, a Capitania disse ter designado uma equipe de peritos ao local para abrir um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação. "O IAFN irá apurar as causas, circunstâncias e eventuais responsabilidades pelo acidente, com prazo inicial de 90 dias para conclusão, podendo ser prorrogado nos termos da legislação vigente."
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