SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os policiais militares réus sob acusação de morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22, vão a júri popular.

Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho Prado serão julgados em um júri popular por homicídio. A decisão, assinada pela juíza Luiza Torggler Silva, foi publicada hoje.

A Justiça também negou o pedido de absolvição sumária por parte da defesa dos policiais militares. Os advogados relataram à Justiça que a ação dos dois agentes foi em legítima defesa, o que foi negado.

"Ambas as defesas sustentam que os acusados teriam agido em legítima defesa durante a abordagem. Nenhuma das teses, todavia, se revela incontroversa a ponto de autorizar a supressão do julgamento", disse Luiza Torggler Silva, em pronúncia.

A Justiça manteve ainda qualificadoras para o crime, como motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima. O UOL entrou em contato por telefone com o escritório Oliveira Campanini, que integra o corpo de defesa dos policiais militares. O advogado João Carlos Campanini disse que respeita a decisão e irá recorrer, "uma vez que o próprio juízo narrou não ter certeza dos fatos. Na hipótese da legítima defesa, a lei impõe que a dúvida deve gerar a absolvição dos acusados".

Marco Aurélio Cardenas era estudante de medicina e foi morto com um tiro à queima-roupa durante uma abordagem. O jovem, que também era músico, foi morto dentro de um hotel na zona sul de São Paulo no dia 20 de novembro de 2024. Toda a ação foi filmada por câmeras de segurança.

Os policiais respondem ao processo em liberdade. Os agentes seguem lotados na corporação e nunca foram presos. Os advogados da família do estudante vão voltar a pedir a prisão preventiva dos réus.

"A liberdade desses agentes representa um risco manifesto à ordem pública e uma afronta direta à memória de Marco Aurélio e à dor de sua família. Não descansaremos até que aguardem o veredito final atrás das grades", disse advogados da família da vítima, em nota.

PAI PEDE JUSTIÇA E LAMENTA LIBERDADE DOS RÉUS

Julio Acosta, pai de Marco, disse ao UOL que a decisão é um passo importante, mas que não garante Justiça. O médico explicou que tem enfrentado problemas de saúde e que teme que os policiais não sejam presos.

"Eu que sou o pai, eu luto. A gente vence uma batalha, mas ainda tem muita coisa na frente", disse Júlio Acosta, pai da vítima;

"Meu sentimento é o de lutar como o primeiro dia para que a justiça dos homens leve a prisão desses caras, antes que eu vá embora. Eu tenho mais de 60 anos, um pré-câncer, e não sei se verei justiça acontecer", disse Júlio Acosta.

Estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta foi morto por PM com tiro à queima-roupa. O caso ocorreu em um hotel na zona sul de São Paulo, na madrugada do dia 20 de novembro de 2024.

Câmeras de segurança mostram jovem andando na rua e dando um tapa no retrovisor da viatura dos PMs. Os agentes correram atrás do jovem, que entrou no hotel onde estava abrigado e foi puxado pelos policiais.

Um dos policiais cai no chão após Marco Aurélio puxar a perna dele. Neste momento, ele atira no estudante.

Policiais disseram no boletim de ocorrência que viram o estudante "bastante alterado" e agressivo quando entraram no estabelecimento. Eles chegaram a ser afastados dos trabalhos nas ruas.