JUIZ DE FORA, MG (FOLHAPRESS) - Moradores do Parque Burnier, em Juiz de Fora, Zona da Mata de Minas Gerais, afirmam ter sentido o chão trepidar na tarde de domingo (22), cerca de 24 horas antes do deslizamento que deixou mortos e desaparecidos na região.

O Corpo de Bombeiros contabiliza 25 mortos, 18 em Juiz de Fora e sete em Ubá. Há outros 47 desaparecidos, sendo 43 em Juiz de Fora e quatro em Ubá.

No Parque Burnier, o trecho de uma rua deslizou e derrubou cerca de 12 casas. O bairro tem 20 desaparecidos e bombeiros buscam pessoas soterradas.

Cinco são da família de Mariana de Oliveira Silva, 40. Entre os desaparecidos estão uma criança e dois adolescentes. "Era um terreno com muitas casas. A casa de trás era uma quitinete que veio abaixo e levou todas as outras", afirma.

Moradores relatam que duas pedras deslizaram e bateram nas casas. O impacto e a força das chuvas teriam contribuído para o deslizamento.

"Todo mundo do bairro sentiu o chão tremer no domingo, que já vínhamos de dias de chuva. Daí por volta das 20h de segunda (23) ouvimos dois grandes estrondos. Quando saímos para a rua, vimos as casas caídas", afirma Joice Silveira, 36.

Alexandre Rangel possui um imóvel de quatro pavimentos na rua onde houve o deslizamento das casas. Ele afirma que visitou o local na madrugada e sentiu o chão encharcado. Todas as casas foram evacuadas. "No terreno próximo à rua passa um pequeno córrego. A casa está com água saindo do solo e o chão está movediço."

Retroescadeiras retiram lama e galhos de árvores das ruas do bairro, formado por ladeiras.

Às 14h27, a Defesa Civil mineira emitiu alerta de mais chuva nos celulares. A vibração dos aparelhos assustou quem acompanha as buscas do Corpo de Bombeiros. Uma chuva forte cai na região nesta tarde.

Rios que cortam Juiz de Fora estão tomados pela lama. Há clarões dos deslizamentos nas áreas elevadas da região.

Os estragos em Juiz de Fora levaram a prefeita Margarida Salomão (PT) a decretar estado de calamidade pública na cidade mineira ainda durante a madrugada desta terça, o que foi reconhecido pelo governo federal.

O ministro de Integração e Desenvolvimento Regional do governo Lula (PT), Waldez Góes, disse que equipes da Defesa Civil nacional estão se dirigindo à região de Juiz de Fora para atuar em conjunto com as autoridades locais.

Segundo a prefeita Margarida, o temporal provocou ao menos 20 soterramentos de imóveis no município, principalmente na região sudeste. A Defesa Civil atendeu 251 ocorrências relacionadas à chuva. Os desabrigados estão sendo levados a três escolas do município.

"Juiz de Fora é um município que tem um conjunto de morros que ultrapassam 100 metros de altura, do topo à base. Ao mesmo tempo tem uma rede de drenagem muito volumosa. Por isso há dois problemas simultâneos. O de movimento de massa, deslocamento de encostas, e o transbordamento de rios", afirma Miguel Felippe, professor do departamento de geociências da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).

O vice-governador Mateus Simões (PSD) afirmou que a população que recebeu alerta de risco de deslizamento deve deixar os imóveis. Há previsão de chuva até sábado (28). "Temos que começar a tratar da ocupação irregular no Brasil. É previsível que aconteceria uma coisa como essa, e é absolutamente devastador pensar que nós temos idosos e crianças soterradas aqui", afirmou.