JUIZ DE FORA, MG (FOLHAPRESS) - Morador do Parque Jardim Burnier, onde mais de uma dezena de casas foram destruídas devido a um deslizamento de terra provocado pelas chuvas em Juiz de Fora (MG), Clayton Garcia esteve rapidamente nesta quarta-feira (25) no cemitério da cidade mineira para o enterro de um familiar morto e voltou para o bairro, em busca da irmã, soterrada desde segunda-feira (23).

"Minha vida está um caos. Vim no enterro, enterramos um aqui e já estou voltando para buscar mais gente. Está todo mundo desorientado, ninguém sabe o que fazer", afirmou.

Como ele, outros moradores do Burnier estiveram na manhã desta quarta no cemitério municipal Nossa Senhora Aparecida, onde dez corpos de vítimas do deslizamento foram enterrados. Outros dez enterros estão previstos para o decorrer do dia.

Entre as vítimas estão crianças, como Bernardo Lopes Dutra, 11, e Melissa Garcia, 12.

Os familiares, demonstrando muito cansaço, continuam ajudando nos resgates em busca de sobreviventes ?parentes, amigos e vizinhos.

O Parque Burnier, onde Garcia e seus familiares moravam, é o local com maior número de vítimas dos soterramentos e deslizamentos provocados pelas fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora.

Técnico de futebol no CFZ - Centro de Futebol Zico, Alison Erculano perdeu um de seus alunos, Bernardo, com o qual disse ter grande amizade.

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"Mudei a posição em que ele jogava, de ponta, e o coloquei de centroavante. Foi artilheiro, fez quatro gols em uma final de futsal e gol em final de futebol de campo. Tomatinho era o apelido dele. Era um jogador que não pipocava, gostava de jogo grande. Garoto com muito carisma, muito humilde, pelo qual todo mundo tinha um carinho muito grande", disse.

Também enterrada nesta quarta, Neusa de Paula Santos, 69, morreu após deslizamento de terra no bairro de Lourdes, e morreu rezando, segundo seu marido, Marcos Maurício dos Santos, 69.

"Minha esposa se foi rezando. Me sinto triste pela perda, mas feliz por ter vivido tanto tempo com ela, nós tínhamos quase 40 anos de casados. Foi uma situação repentina, de uma hora pra outra. Mas o apoio dos amigos e dos amigos do meu filho tem me ajudado muito", disse.

Flaviano Costa Luz, que mora há 43 anos no bairro, afirmou que os problemas com deslizamentos começaram recentemente, após a construção de uma rua que não existia no local.

"Foi fazer essa rua aconteceu esse fato, derrubando 12 casas. Nessa tragédia, perdi amigos, familiares e vizinhos", disse.