SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um documento com o mapeamento de regiões sensíveis em Juiz de Fora (MG) já indicava quais são as áreas com maior probabilidade de deslizamentos de terra e inundações. O município, que teve pelo menos 30 mortes em decorrência das chuvas, tem cerca de 25% da população em áreas de risco.

Aproximadamente 25% dos moradores de Juiz de Fora vivem em áreas de risco. De acordo com o plano de contingência da prefeitura, esta população mora em áreas vulneráveis a inundações, enxurradas e movimentos de massa. "São cerca de 40.532 domicílios e 128.946 habitantes nessas áreas", detalha o documento, elaborado em outubro de 2025 para minimizar os efeitos da chuva na temporada atual.

Juiz de Fora fica entre os três municípios mineiros com maiores números absolutos de habitantes expostos a estas áreas. O município fica atrás apenas de Belo Horizonte e Ribeirão das Neves, segundo o documento. A cidade, de 540 mil habitantes, tem vales e encostas íngremes. Essas áreas, segundo o próprio plano, estão "sujeitas a altos índices pluviométricos que influenciam o aumento de risco de inundações e deslizamentos".

O plano de contingência da prefeitura de Juiz de Fora detalha quais são as áreas perigosas. O documento tem um mapa de áreas monitoradas, conforme a gravidade. As áreas apresentadas como de alto risco tiveram mortes em decorrência das chuvas nesta semana.

Duas mortes ocorrem em ruas classificadas como de risco muito alto e risco alto. Uma pessoa morreu na rua Natalino José de Paula, no bairro Costa Carvalho, segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. A área é classificada como R4 (risco muito alto para escorregamento de solo). Outra morte, registrada na rua Orville Derby Dutra, ocorreu em área classificada como R3 (risco alto para escorregamento de solo).

O bairro Vila Ideal registrou três mortes e tem, segundo o mapeamento, áreas de risco muito alto de acidente geológico. A região, que fica no sudeste na cidade, fica próxima a encostas. O mapa indica duas regiões de risco muito alto para deslizamento de terra, além de outras duas de risco alto, e uma de risco moderado para o mesmo fenômeno no bairro.

Procurada, a Prefeitura de Juiz de Fora não respondeu ao pedido de comentário sobre áreas mapeadas e as mortes. O espaço segue aberto, e o texto será atualizado se houver posicionamento.

A prefeita Margarida Salomão (PT) explicou ao UOL News que um alto volume de chuva chegou rapidamente e foi um "evento extremo". Na segunda-feira, a cidade recebeu 183 mm de chuva -quantidade acima da média histórica esperada para o mês- e acionou o plano de contingência para "soluções preventivas razoáveis".

"Nós, na prefeitura, estamos praticamente insones há três dias por conta dessa situação e buscando oferecer respostas que são nesse momento paliativas", disse Margarida Salomão (PT).

Prefeita afirmou que nível do rio Paraibuna subiu muito além do comum. De acordo com Margarida, as chuvas foram tão fortes que o rio "saiu da calha", algo que não acontecia "desde a década de 1940". O rio é o principal curso d'água da cidade e responsável pelo escoamento da bacia hidrográfica e urbana da cidade.

Defesa Civil de Juiz de Fora determinou ontem a evacuação de bairros com risco muito alto. Ruas dos Três Moinhos, Vila Ideal, Esplanada e Paineiras foram evacuadas devido à possibilidade de chuvas nos próximos dias. Ao todo, a Defesa Civil diz que vai remover 600 famílias e colocá-las em estruturas da prefeitura.

Veja no mapa abaixo as áreas de risco em Juiz de Fora. As cores indicam risco geológico (deslizamentos) muito alto (vermelho), alto (laranja), moderado (amarelo) e baixo (verde). Em azul, o risco hidrológico (inundações). Quanto mais forte o tom de azul, maior o risco.