SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O consórcio MEZ-RZK Novo Centro será o responsável por construir o conjunto de torres de escritórios que abrigará o futuro centro administrativo do Governo do Estado de São Paulo. O complexo estimado em R$ 6,09 bilhões deverá ser erguido no entorno do parque Princesa Isabel, no bairro Campos Elíseos, em uma área estigmatizada pela principal cena de consumo da cracolândia.

Vitrine da promessa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de colaborar com a requalificação da região central da capital paulista, a nova sede do governo estadual tem conclusão prevista para 2030.

Dois grupos tinham apresentado propostas para a disputa realizada nesta quinta-feira (26) na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo: os consórcios Acciona-Construcap e MEZ-RZK Novo Centro. O grupo vencedor exigiu um pagamento mensal, chamado de contrapartida, de aproximadamente R$ 69,23 milhões para fazer a gestão e manutenção dos edifícios por 30 anos. O valor ficou abaixo dos cerca de R$ 72,7 milhões exigidos pelo concorrente derrotado.

É justamente essa contraprestação mensal que definiu o leilão, uma vez que o escolhido foi o grupo empresarial que ofereceu o maior desconto na taxa que o estado irá pagar.

Integram o consórcio vencedor as construtoras Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property.

A RZK Empreendimentos é a responsável pela construção do bairro planejado Reserva Raposo ?que deve receber 90 mil moradores. A construtora ainda integra o Consórcio Novo Dom Pedro, que assimou a PPP (parceria público-privada) para o novo Parque Dom Pedro 2º.

O governo do estado deve desembolsar quase R$ 25 bilhões para pagar o consórcio ao longo de 30 anos, sem considerar a correção pela inflação.

O projeto será feito no modelo de PPP (parceria público-privada), o que significa que poder público e empresários dividem responsabilidades na construção e gestão dos edifícios. Durante a fase de obras, prevista para durar cinco anos, o estado aplicará R$ 3,4 bilhões entre o primeiro e o quarto ano. Já o consórcio vencedor deverá dispor de R$ 2,7 bilhões.

Nesse sistema, o consórcio vitorioso também fará a gestão e manutenção dos prédios. Isso significa que a empresa cuidará da segurança, limpeza, funcionamento dos elevadores e tudo o que for necessário para a utilização dos edifícios. Para isso, o governo fez uma oferta máxima de contraprestação de R$ 76 milhões por mês, com correção pela inflação.

O complexo pretende concentrar 22 mil servidores atualmente distribuídos em 40 endereços.

Em fala aos jornalistas após o leilão, Tarcísio afirmou que vai propor que a novo centro administrativo receba o nome da escritora Silvia Maria Dellivenneri Domingos ?esposa do secretário especial de projetos estratégicos do Governo de São Paulo, Guilherme Afif Domingos?, morta em 2024.

O projeto arquitetônico prevê calçadões, áreas verdes e lojas acessíveis a pedestres para facilitar a integração dos novos edifícios ao entorno. Eles poderão ser erguidos em módulos e por etapas, além de terem o uso ajustado a diversos tamanhos de departamentos.

Esses são alguns dos parâmetros da proposta do arquiteto Pablo Chakur, do escritório Ópera Quatro, vencedor do concurso promovido pelo IAB-SP (Instituto dos Arquitetos do Brasil em São Paulo) que contou com 44 projetos homologados.

Com essas características, o projeto tenta driblar o risco de que a construção se torne um estorvo para a comunidade ou vire um "elefante branco", termo mencionado na proposta e que costuma ser usado para descrever grandes obras públicas inconclusas ou obsoletas.

O projeto prevê o restauro de 17 imóveis tombados e a ampliação em mais de 40% das áreas verdes do parque Princesa Isabel. Também haverá 25 mil m² de fachada ativa destinados a comércio e serviços e à construção de um novo terminal de ônibus, que será interligado à estação Luz.

A obra terá um gabinete para o governador na região central da capital paulista, junto aos prédios que vão abrigar as secretarias, mas isso não impedirá que o mandatário mantenha um escritório de trabalho a dez quilômetros de distância, no Palácio dos Bandeirantes, no bairro nobre do Morumbi, zona oeste da capital.

Mesmo que decida concorrer à reeleição e saia vitorioso, é possível que Tarcísio passe um eventual segundo mandato inteiro despachando do Bandeirantes, que deve ser mantido como residência oficial, por motivos de segurança, segundo a SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos).