SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A futura sede administrativa do governo estadual na região central da cidade de São Paulo coloca sob os holofotes famílias de empresários com histórico de doações a políticos, contratos com o poder público, desistência de negociações com uma empresa citada no caso Master e a construção do edifício São Vito, o treme-treme que precisou ser demolido na região central da capital paulista.
Vencedor do leilão realizado pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta quinta-feira (26) para construir e gerir o complexo por 30 anos em troca de uma contrapartida total de R$ 25 bilhões, o consórcio MEZ-RZK Novo Centro é formado pelas empresas RZK Empreendimentos, Zetta Infraestrutura, Engemat e M4 Infraestrutura e Iron Property. O grupo informou que não faria comentários por não haver irregularidades nos fatos reportados.
Principal empresa do consórcio, a RZK é liderada por José Ricardo Rezek, empresário com atuação em diversos setores que esteve em um grupo de investidores que iniciou negociações para compra da Financeira BRB, subsidiária do banco BRB que oferece serviços como crédito consignado público e privado.
No final do ano passado, porém, esses investidores desistiram da compra em meio ao envolvimento do banco no caso Master. O BRB enfrenta acusações de ter feito repasses ilegais ao banco de Daniel Vorcaro, por meio da compra de carteiras falsas de crédito.
Rezek é homônimo do pai dele, empresário que é uma figura presente no financiamento político brasileiro.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral apontam que o patriarca do grupo RZK foi o segundo maior doador individual das eleições municipais de 2024, desembolsando R$ 4,1 milhões para partidos em diferentes posições no espectro político. Ele foi superado apenas por Rubens Ometto, o bilionário dono da Cosan, uma gigante brasileira dos setores de infraestrutura, energia e agronegócio.
No campo imobiliário, a empresa é responsável pela construção do bairro planejado Reserva Raposo, empreendimento na zona oeste da capital paulista que deverá receber 90 mil moradores.
Esse conjunto residencial é o que possui o maior número de unidades contratadas pelo Pode Entrar, programa de moradia popular da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) que utiliza imóveis construídos pelo setor privado. São mais de 6.000 apartamentos em um contrato de R$ 1 bilhão com a prefeitura.
O Raposo foi cenário de uma tragédia no ano passado: a queda de um elevador de carga que resultou na morte de três operários.
A RZK também lidera o consórcio do Novo Parque Dom Pedro, projeto que enfrenta sucessivos adiamentos para a assinatura do contrato definitivo.
Já a empresa Zetta carrega a tradição da família Zarzur no ramo da construção civil, cuja Eztec é uma das maiores empresas desse ramo em São Paulo. O histórico da família se confunde com a própria verticalização da capital.
Se por um lado a família Zarzur foi responsável por entregar o Mirante do Vale, que deteve por décadas o título de edifício mais alto da capital, por outro lado, o sobrenome também está ligado à construção do edifício São Vito.
Popularmente conhecido como "treme-treme", o prédio tornou-se um símbolo da degradação urbana no centro da cidade até ser demolido em 2011.
O consórcio comentou que não há irregularidades nos fatos mencionados pela reportagem e que, por esse motivo, não pretende se manifestar sobre os temas relatados.