RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A polícia procura quatro jovens suspeitos de estuprar uma adolescente de 17 anos, em um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro.
O estupro coletivo aconteceu na noite do dia 31 de janeiro. A vítima havia sido atraída ao imóvel na rua Viveiros de Castro por um outro adolescente de 17 anos, que seria seu ex-namorado. Quando eles estavam tendo relação dentro do quarto, os outros homens ?todos maiores de idade? entraram e atacaram a jovem. Dois suspeitos estudam no Colégio Pedro 2º, unidade Humaitá.
Em nota, o colégio disse que desligou os alunos e repudiou a violência. "A gestão do Campus Humaitá 2, tão logo notificada, procedeu com todas as ações necessárias, incluindo acolhimento à família da vítima, mantendo o devido sigilo conforme requisição das autoridades cabíveis."
"Estamos todos indignados com o ocorrido e seguimos com os procedimentos para continuidade de processo iniciado pela gestão do campus, em conjunto com a Reitoria e sob orientação da procuradoria federal para desligamento dos dois estudantes Colégio Pedro 2º envolvidos", acrescentou.
Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, João Gabriel Bertho Xavier e Matheus Veríssimo Zoel Martins, de 19, tiveram os mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça na sexta (27). O menor foi responsabilizado por crime análogo a estupro, por outra delegacia, e também está sendo procurado.
A defesa de João Gabriel Xavier Bertho nega as acusações. Segundo Rafael De Piro, advogado do foragido, duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feito anteriormente.
"Há nos autos do processo mensagens de texto trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade nem sequer de ser ouvido pela polícia para se defender", disse, em nota.
A reportagem não localizou a defesa dos outros réus. As mensagens a que o advogado se refere estão anexadas ao inquérito. Elas ocorreram antes do crime.
A jovem afirma, em depoimento, que ao chegar ao apartamento, foi levada para um quarto e, durante a relação sexual consensual entre ela e o ex-namorado, os outros jovens entraram no quarto e tiraram a roupa.
O ex-namorado teria pedido para que ela permitisse que os outros rapazes ficassem no local, o que ela teria consentido. No entanto, os rapazes passaram a tocá-la e a beijá-la à força. Em seguida, a obrigaram a fazer sexo oral. Ela afirma ainda que tentou sair do quarto, mas foi impedida. A adolescente relatou que sofreu penetração dos quatro e foi agredida com socos, tapas e chutes ao resistir.
A polícia apura se o grupo já cometeu o mesmo crime, de acordo com o delegado Ângelo Lages. "Têm surgido na internet relatos de possíveis outras vítimas. Ainda não sabemos se é apenas burburinho de rede social, vamos aguardar para ver se nesta semana aparecem outras vítimas desse grupo", disse o delegado.
Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, uma hora depois, a saída deles do condomínio.
Segundo a Polícia Civil, após o crime, a adolescente procurou o irmão e a avó e eles foram até a 12ª DP (Copacabana) para fazer o registro de ocorrência. O exame de corpo de delito feito na vítima identificou lesões relacionadas à violência física, como ferimentos na área genital, sangue no canal vaginal e hematomas nas costas e nos glúteos.
Ao sair, a adolescente disse que um dos jovens pediu a ela que levasse uma amiga da próxima vez.
No sábado, a Polícia Civil realizou operação denominada "Não é Não" para prendê-los, mas nenhum deles foi encontrado.
Neste domingo (1º), um jovem, que tem o mesmo nome de um dos suspeito, foi até a delegacia. Ele relatou que tem recebido ameaças e um boletim de ocorrência foi registrado.