O influenciador Nino Abravanel e outros cinco acusados de participar de um homicídio para vingar a morte do avô, em São Paulo, vão a júri popular.

Deivis Elizeu Costa e Silva, conhecido como Nino, seu irmão, Deric Elias Costa e Silva, e outros quatro amigos são réus pela morte de um homem que teria matado o avô dos irmãos. O caso aconteceu em maio de 2024, na Estrada do M'boi Mirim, na zona sul de São Paulo.

O influenciador, que possui mais de seis milhões de seguidores nas redes sociais, e os amigos são acusados de homicídio motivado por uma vingança. Nino, Deric, Julio Cesar Alves, o Jacaré, Eberton Salles de Lima, Pablo lyncoln Rocha e Enrico Jonatan Leal, chamado de Jhonny, teriam, segundo as acusações, orquestrado e matado o servente de pedreiro Tarcísio Gomes da Silva após receberem informações de que ele teria espancado e matado o avô de Nino momentos antes do homicídio.

Todos os acusados serão julgados pelo tribunal do júri. A decisão, publicada ontem, foi assinada pela juíza Isabel Begalli Rodrigues, que entendeu haver provas suficientes para que o caso vá para júri popular. Deric seria o atirador e os demais teriam ajudado na empreitada. Ainda cabe recurso e a data para júri ainda será marcada.

Os réus vão seguir respondendo em liberdade. Apesar de levar os homens para júri popular, a juíza entendeu não haver necessidade de prisão preventiva dos acusados. Jacaré chegou a ser detido pelo crime em junho de 2024, e Nino foi considerado foragido até que a defesa de ambos conseguiu um habeas corpus para que eles respondessem ao caso em liberdade, cumprindo outras medidas cautelares.

"Diante das provas produzidas em Juízo, não há como se falar na impronúncia ou na absolvição sumária dos acusados, uma vez que há indícios suficientes da autoria e da participação imputada a eles", disse a juíza Isabel Begalli Rodrigues, em decisão.

A defesa dos réus disse que entrou com ação para revogar a ida do caso para júri popular. O advogado Felipe Cassimiro disse que o processo foi baseado em provas ilícitas e que confia nos tribunais superiores.

"A Defesa esclarece que a decisão de pronúncia não é definitiva e já foi interposto o competente recurso em sentido estrito. Que confia plenamente que os Tribunais Superiores irão cassá-la, uma vez que, conforme comprovado, o processo está baseado em provas ilícitas, o que compromete totalmente a sua validade". disse Felipe Cassimiro, advogado de Nino Abravanel.

Tarcísio levou dois tiros, um na nuca e outro no rosto. O servente de pedreiro descia uma via quando foi surpreendido por um homem de capuz, que efetuou os disparos e fugiu, segundo narram os autos obtidos pelo UOL.

Para a polícia, os irmãos orquestraram o homicídio por questão de "honra". Segundo os autos revelados com exclusividade pelo UOL à época, a investigação apontou que uma pessoa envolvida no caso disse à polícia que Deric e Nino estavam à procura de Tarcísio após descobrirem que o homem havia, no mesmo dia, espancado o avô dos suspeitos. Valdeci Ferreira, que criou Deric e Nino, não resistiu aos ferimentos e morreu horas após as agressões.

A polícia apontou para suposta trama para o homicídio. Conforme a investigação policial, os irmãos e outras três pessoas se reuniram em um restaurante, horas antes do ocorrido, para planejar o crime. Câmeras flagraram a dupla no estabelecimento com os amigos.

A defesa negou crime de vingança ao UOL e alegou falha no processo. De acordo com Cassimiro, os jovens estavam fragilizados com a morte do avô, mas não mataram o homem.

Segundo o advogado, a testemunha que apontou os irmãos como possíveis responsáveis pela morte, que seria o dono de um carro usado no crime, foi "ouvida informalmente". Esta testemunha teria dito que Deric disparou contra Tarcísio e Nino conduziu a fuga deles do local dos disparos. "Agora eu pergunto, por que essa confissão não foi formalizada? A gente sabe que existem confissões sob pressão. Como a gente vai dar credibilidade a uma confissão informal?", finalizou.

O Juízo afastou a tese da defesa e que a testemunha tenha sido ouvida irregularmente. O advogado relatou que Eberton não foi informado sobre o direito ao silêncio. No entanto, a Justiça disse que "os policiais civis que teriam ouvido o réu informalmente confirmaram o teor do depoimento em Juízo e relataram que o acusado teria sido ouvido como possível testemunha após se apresentar espontaneamente, de modo que não havia razão para advertido. Ademais, se trata de prova renovada sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, ao passo que as alegações do réu de que teria sofrido coação se mostram, neste momento, isoladas nos autos".

NINO ABRAVANEL TEM MILHÕES DE SEGUIDORES

Conhecido no meio do funk e trap paulista, Nino Abravanel mais de seis milhões de seguidores só no Instagram. Apaixonado por motos e presença frequente em festas na capital, ele ganhou popularidade sendo citado em músicas com milhões de reproduções nas plataformas digitais.

O influenciador promove seu estilo de vida e já divulgou rifas e jogos de azar. Com 19 anos, ele passa mensagens em suas redes sociais mostrando suas conquistas, muitas vezes motos e carros, e tenta motivar quem os segue.