RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O delegado titular da 12ª DP (Copacabana), no Rio de Janeiro, afirmou que os outros dois suspeitos de estupro de uma adolescente de 17 anos que ainda não foram presos devem se entregar até quarta-feira (4).
Angelo Lages afirmou que negocia a prisão com um advogado que representa Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, que é filho de José Carlos Costa Simonin, subsecretário de Governança, Compliance e Gestão Administrativa da gestão Cláudio Castro (PL).
Matheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho foram presos nesta terça (3). Matheus se entregou na 12ª DP e, João Gabriel, na 10ª DP (Botafogo). Entre os suspeitos há ainda um adolescente de 17 anos que teve o pedido de apreensão representado.
Segundo o delegado, Matheus e João Gabriel ficaram em silêncio e optaram por falar só em juízo. As defesas não se apresentaram na delegacia e a reportagem não as localizou.
A Polícia Civil investiga ainda dois outros casos de suspeitas de estupro que teriam sido cometidos por parte do grupo. Um deles, que teria ocorrido em 2023, foi relatado em delegacia na noite de segunda (2) pela mãe da suposta vítima.
Segundo o delegado Lages, a filha teria relatado o caso à mãe após a repercussão.
Nesta terça, outra mãe esteve na 12ª DP para relatar um suposto caso de estupro.
Os novos casos serão investigados à parte.
Na sexta-feira (27), a Justiça aceitou a denúncia e tornou os jovens réus pelo crime de estupro qualificado, pela vítima ser menor, majorado pelo concurso de pessoas, que é quando o crime é praticado por dois ou mais agressores. Nesse caso, quando há a participação de mais de uma pessoa, a conduta é considerada mais grave.
Por isso, a lei determina o aumento da pena final em um quarto. O Código Penal também estabelece que todos que participaram do crime respondem por ele na medida de sua culpabilidade. Pode haver agravamento adicional para quem organiza, dirige ou promove a cooperação entre os agentes. A pena prevista para o estupro, neste caso, é de reclusão de 8 a 12 anos em caso de condenação.
A defesa de João Gabriel Xavier Bertho, representada pelo advogado Rafael De Piro, nega as acusações, argumentando que mensagens de texto provam que a jovem "sabia da presença prévia dos outros rapazes" no local. Afirma ainda que a vítima teria consentido inicialmente com a presença deles no quarto durante o encontro íntimo com o amigo. O processo está sob sigilo e a reportagem não conseguiu localizar as defesas dos outros réus.
PASSO A PASSO DO CRIME
Segundo a relato da vítima e das câmeras de segurança
Por WhatsApp, o ex-namorado pergunta se a vítima estava em Copacabana e a chama para encontrá-lo
Às 19h24, Vitor Hugo Oliveira Simonin, Matheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho chegam ao apartamento onde o crime teria ocorrido
Um minuto depois, a vítima e o ex-namorado chegam. No elevador, o menor diz que amigos estavam no local e que gostaria de fazer algo diferente, e ela diz ter recusado a ideia
No quarto, segundo a vítima, ela e o ex-namorado iniciam uma relação consensual
Os outros rapazes entram no quarto
Vítima afirma que foi impedida de sair e forçada a praticar sexo com todos. Ela também relata que recebeu socos e tapas e que o ex-namorado a chutou no abdômen
Às 20h25, o ex sai do apartamento com a vítima e depois retorna sozinho
Às 20h42, os cinco jovens deixam o apartamento
Ao voltar para casa, ela procura a família e vai à delegacia
O exame de corpo de delito confirmou a existência de vestígios de conjunção carnal recente, atos libidinosos e violência real. Foram encontradas lesões nas regiões genital, glútea e dorsal
Fonte: relato da vítima; horários constam nos vídeos das câmeras de segurança