SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Duas vítimas procuraram a Polícia Civil do Rio de Janeiro para relatar que também foram violentadas por acusados de estuprar uma jovem de 17 anos no Rio de Janeiro.
Vítimas se apresentaram à polícia depois da repercussão do caso e do pedido de prisão dos envolvidos. Em 31 de janeiro, uma jovem relatou ter sido estuprada por quatro adultos e um menor em um apartamento em Copacabana, mas o caso só repercutiu na última semana, após serem decretadas as prisões dos homens.
As duas vítimas relataram que foram estupradas quando tinham 14 e 17 anos. Uma das jovens disse que foi violentada por Vitor Hugo Oliveira Simonin, que está foragido, e outros homens que não conseguiu identificar. Outra adolescente relatou ter sido vítima de outro envolvido, Matheus Veríssimo Zoel Martins, que se entregou hoje à polícia.
As jovens relataram que apenas após a repercussão do primeiro caso conseguiram ir à polícia denunciar os homens. Uma das vítimas procurou uma delegacia no sábado, e outra prestou depoimento hoje, segundo o delegado Ângelo Lages, que investiga o crime de estupro cometido contra a adolescente de 17 anos em Copacabana.
As demais vítimas estão sendo ouvidas pela polícia. A investigação tenta descobrir se outros envolvidos no primeiro crime tenham participado nos outros casos.
Matheus e João Gabriel Xavier Bertho se entregaram à polícia hoje. Bruno Felipe dos Santos Alegretti e Vitor Hugo seguem foragidos. Todos são réus pelo crime de estupro.
A reportagem tenta contato com a defesa dos réus. Havendo manifestação, este texto será atualizado.
ENTENDA O CASO
Uma adolescente de 17 anos procurou a polícia com sua mãe, relatando ter sido violentada por cinco pessoas. O crime teria acontecido no dia 31 de janeiro em um apartamento em Copacabana.
A jovem relatou que foi convidada por um menor de 18 anos com quem teria tido uma relação para se encontrarem. Ela foi ao encontro do adolescente, entrou no quarto do apartamento e passou a manter relações com ele.
Ela relatou que, durante o ato, outras quatro pessoas entraram no quarto. No momento, um menor disse aos outros envolvidos que tinha "desenrolado" para que eles participassem. Contudo, a jovem negou fazer sexo com eles.
A jovem disse à polícia que tentou sair da situação, mas que não conseguiu. Os homens a agrediram com puxões de cabelo e com golpes na região abdominal enquanto se revezavam nas agressões.
Momentos depois, já sangrando após as agressões, a vítima foi embora. Ela chegou a ser questionada pelo menor se sua mãe a via sem roupas e a desaconselhou de mostrar os hematomas e o sangramento. Horas após o ato, ele enviou uma mensagem para a adolescente: "chegou bem kkkk".
COMO DENUNCIAR VIOLÊNCIA SEXUAL
Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, mas o exame de corpo de delito só pode ser realizado com o boletim de ocorrência em mãos. O exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante um processo judicial, e podem ser feitos a qualquer tempo depois do crime. Mas por se tratar de provas que podem desaparecer, caso seja feito, recomenda-se que seja o mais próximo possível da data do crime.
Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para tomar medicação de prevenção de infecção sexualmente transmissível, ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente. Na prática, nem todos os hospitais fazem o atendimento. Para aborto, confira neste site as unidades que realmente auxiliam as vítimas de estupro.