SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Enel afirmou na manhã desta terça-feira (3) que a explosão registrada na rua da Consolação, em São Paulo, foi causada pelo acúmulo de gases inflamáveis em uma galeria subterrânea.

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado), porém, diz não ter constatado presença de gás durante medição feita na galeria da Consolação na manhã desta terça.

"A companhia permanece à disposição da prefeitura e das concessionárias para prestar apoio técnico, no âmbito de suas atribuições", diz a Cetesb, em nota.

A Prefeitura de São Paulo afirma que vai notificar a Enel para apresentar explicações a respeito da explosão.

"Tendo em vista que Cetesb e Comgás não constataram a presença de gás natural no local, a SMSUB [Secretaria Municipal das Subprefeituras] elaborou relatório técnico com evidências que apontam para a hipótese de explosão associada à formação de gases de pirólise decorrentes de falha elétrica em cabos subterrâneos da Enel. A análise preliminar levou em consideração características da explosão como aquecimento do solo antes da ocorrência, odor característico de borracha queimada, presença de fumaça escura e cabos queimados da concessionária. A conclusão da análise depende de maiores informações da concessionária responsável", declarou a gestão Ricardo Nunes (MDB), em nota.

Ainda segundo a prefeitura, a corrente de gases pode ocorrer a partir de uma falha no isolamento da rede, que provoca aquecimento anormal do cabo.

Em nota à reportagem, no entanto, Enel negou essa hipótese da prefeitura, reforçando que a explosão foi causada pelo acúmulo de gases inflamáveis no interior de uma galeria subterrânea.

"A distribuidora reforça que não houve curto-circuito e que a ocorrência não teve qualquer relação com a rede elétrica, que permanece intacta. No local, há apenas cabos de energia, sem equipamentos como transformadores, e nenhum cliente teve o fornecimento afetado. Por medida preventiva e de segurança, a companhia realizou o desligamento temporário da energia para apenas um cliente, que segue atendido por meio de gerador", informou a Enel.

A explosão, na noite de domingo (1º), provocou a abertura de uma cratera nas proximidades da avenida Paulista, uma das regiões mais movimentadas de São Paulo.

Após medições realizadas no local, o buraco foi fechado na madrugada desta terça. O trânsito no local foi liberado pouco depois das 6h, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Segundo a Enel, as medições indicaram que não há risco de nova explosão.

Técnicos da fornecedora de energia trabalharam na região em que foi formada a cratera para recuperar a estrutura danificada pelo incidente.

A Enel informou também que segue investigando o caso. O local da explosão continuará sendo monitorado.

De acordo com a companhia, a rede elétrica subterrânea não foi danificada devido à explosão. No local há apenas cabos de energia, sem equipamentos como transformadores.

A Comgás disse que colabora com a concessionária de energia elétrica na apuração das causas da explosão. Segundo a distribuidora de gás natural, equipes técnicas fizeram uma análise detalhada no local e não identificaram vazamentos na rede da companhia.

"Essa conclusão é respaldada pela ausência de etano e de outros componentes característicos do gás natural, conforme aferido pelos equipamentos de medição utilizados em campo", diz nota da Comgás.

Segundo a explicação da distribuidora, a inexistência desses elementos descarta a hipótese de presença de gás natural proveniente de suas redes no ambiente.

"Ressalta-se que, independentemente do tipo de gás, uma ocorrência dessa natureza somente poderia se concretizar mediante a presença de uma fonte de ignição, como faísca ou outro mecanismo semelhante", completa a nota.