RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A jovem de 18 anos que procurou a polícia nesta terça (3) para relatar que foi abusada por Vitor Hugo Simonin, acusado de participar de estupro coletivo de uma adolescente em Copacana, afimou que ele era conhecido na escola como um "estuprador em potencial". Ele foi preso na manhã desta quarta (4).

Segundo relato da vítima, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso, Vitor ?que é filho de José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário de Governança, Compliance e Gestão Administrativa do governo Cláudio Castro (PL)? costumava "passar a mão no corpo das meninas de forma abusiva" na escola Pedro 2º, onde estudavam.

A reportagem tentou contato com o advogado Ângelo Máximo, que representa Vitor Hugo, mas ele não pode atender a ligação, pois acompanha o réu na 12ª DP (Copacabana). O defensor afirmou, por meio de mensagem, que vai se pronunciar ao fim dos trâmites da prisão de seu cliente.

Procurado, o Colégio Pedro 2º ainda não se manifestou sobre o relato de supostos abusos na escola.

Em depoimento, a jovem relatou que, em uma festa organizada pelos alunos da escola, em outubro de 2025, foi levada por Vitor Hugo para o segundo andar do imóvel, em um local vazio. Ela afirma que estava "alcoolizada e fraca, não conseguindo reagir".

Vitor Hugo, de acordo com a jovem, passou a forçá-la a fazer sexo oral, empurrando sua cabeça. Ela afirma que disse não querer, mas ele continuou a praticar o ato e só parou quando um homem apareceu e os mandou a descer para o primeiro andar da festa. Essa pessoa não teria visto o crime.

A jovem diz que contou para uma amiga, chorando, o que tinha ocorrido. E, no dia seguinte, enviou uma mensagem para Vitor Hugo: "Vou fingir que nada aconteceu".

Ao tomar conhecimento do caso do estupro coletivo, ela diz ter tomado coragem e ido até a delegacia relatar o crime.

Além deste caso, a polícia investiga outro suposto estupro cometido por parte dos reús contra uma adolescente de 14 anos, em 2023. Na denúncia, a mãe da vítima menciona três suspeitos, entre eles Matheus Veríssimo Zoel Martins, preso nesta terça, e o adolescente, que teria 14 anos à época. Menciona ainda uma pessoa de nome Gabriel, que a polícia ainda investiga se é João Gabriel Xavier Bertho, outro preso nesta terça. O crime, ainda segundo o relato feito à polícia, teria ocorrido no apartamento de Matheus, morador da zona sul do Rio.

A defesa de João Gabriel Xavier Bertho, representada pelo advogado Rafael De Piro, nega as acusações, sustentando que mensagens de texto provam que a jovem "sabia da presença prévia dos outros rapazes" no local. Afirma ainda que a vítima teria consentido inicialmente com a presença deles no quarto durante o encontro íntimo com o amigo.

O processo está sob sigilo e a reportagem não conseguiu localizar a defesa de Matheus Martins.