PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) - A China anunciou na manhã desta quinta-feira (5), no horário local, a meta de redução de 17% na intensidade das emissões de CO2 entre 2026 e 2030, um movimento que, segundo analistas, pode dificultar o cumprimento do compromisso de 2030 sob o Acordo de Paris.

O anúncio, feito pelo primeiro-ministro Li Qiang, indica ao mundo o tamanho do compromisso doméstico que o principal emissor de gás carbônico está disposto a tentar atingir. Segundo ele, o objetivo promove "a transição verde e de baixo carbono nos principais setores."

A fala ocorreu em pronunciamento nas Duas Sessões, reunião anual do parlamento chinês para analisar o ano anterior e estipular planos para o próximo.

A nova cifra faz parte do 15º Plano Quinquenal do país, documento que apresenta os principais objetivos do regime chinês para os próximos cinco anos. A meta para 2026, por sua vez, é uma redução de 3,8%.

Análises publicadas pelo Carbon Brief apontam que seria necessária uma redução de 23% na intensidade das emissões para que o país atinja o compromisso estabelecido em 2021 no âmbito do Acordo de Paris, quando foi anunciada uma Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) que previa redução na intensidade de carbono de cerca de 65% em 2030 em relação a 2005.

Embora os esforços de Pequim para a transição verde sejam mundialmente reconhecidos, pesquisadores afirmam que esse esforço adicional compensaria o não cumprimento da meta de redução do último plano. O documento de Pequim para o período de 2021 a 2025 estabelecia diminuição de 18%, mas a estimativa do que foi atingido é de 12%.

Uma análise publicada pelo Climate Action Tracker também afirmava que "para superar a lacuna restante na redução da intensidade de carbono e atingir a meta da NDC para 2030, será necessária uma ambição climática substancialmente maior no 15º Plano Quinquenal".

Outro documento, publicado pelo Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (Crea, na sigla em inglês) em dezembro de 2025, afirma que o país precisaria cumprir a meta estabelecida no ciclo anterior para atingir os objetivos determinados pelo líder chinês.

"A China fixou como alvo uma redução de 18% entre 2021 e 2025, mas projeta-se que alcance cerca de 12% até o fim deste ano. Se isso se confirmar, a China então precisará reduzir sua intensidade de carbono em 22% a 24% nos próximos cinco anos para alcançar seu principal compromisso climático para 2030", escrevem os autores.

Por outro lado, o país já alcançou outros objetivos também estabelecidos para 2030, como ultrapassar o marco de 1.200 gigawatts de capacidade instalada em energia eólica e solar seis anos antes do previsto.

A meta para os próximos anos mantém o tom do plano anterior e se distancia do movimento feito quando no ano passado quando o líder do regime chinês, Xi Jinping, anunciou as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês), estipulando pela primeira vez uma redução absoluta na emissão dos gases de efeito estufa.

Pequim determinou que o país deveria reduzir de 7% a 10% as emissões totais em relação ao pico, previsto para ocorrer até 2030.

A forma de mensuração adotada no plano, que considera a redução das emissões por unidade do PIB (Produto Interno Bruto), é voltada à descarbonização da economia ?ou seja, permite que as emissões absolutas ainda cresçam, ao mesmo tempo que evita que o objetivo climático limite o crescimento econômico. O método controla a densidade de emissões no PIB, e não o volume total de gases lançado na atmosfera.