SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) notificou a Enel e a Comgás após a explosão que abriu uma cratera na rua da Consolação, no centro de São Paulo. A agência cobra esclarecimentos sobre as causas do acidente e medidas de monitoramento no local.

Explosão subterrânea aconteceu na noite de domingo (1º) e abriu cratera na rua da Consolação, área central da cidade. O buraco aberto no asfalto deixou parte da via interditada, obrigando motoristas a desviarem o trajeto e afetando a circulação de mais de 20 linhas de ônibus municipais.

Arsesp notificou Enel e Comgás após explosão. Segundo a agência reguladora, as concessionárias foram acionadas em razão do incidente. A explosão ocorreu na altura do número 2.078.

Enel foi cobrada a explicar causas do acidente e medidas de vistoria. Em nota ao UOL, a Arsesp afirmou que a concessionária foi notificada para prestar informações sobre as causas do acidente em suas instalações. A empresa também deve informar providências para realizar vistorias e definir a periodicidade de medições voltadas à detecção e quantificação de gases inflamáveis.

Comgás deverá monitorar presença de gás na região da ocorrência. De acordo com a agência, a empresa foi notificada para realizar "monitoramento técnico sistemático da presença de gás no entorno do local da ocorrência". A medida busca acompanhar possíveis riscos após o incidente.

Fiscais da agência estiveram no local após a explosão. A Arsesp informou que acompanha o caso desde a manhã de segunda-feira (2). No mesmo dia, fiscais da agência foram até o local para realizar vistoria e acompanhar os trabalhos das concessionárias responsáveis pelos serviços afetados.

Agência diz ter informado a Aneel sobre o caso. Segundo a Arsesp, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), responsável pela fiscalização e regulação do setor elétrico, foi comunicada sobre o incidente.

Enel confirmou o recebimento da notificação da Arsesp. Procurada, a empresa informou ao UOL que recebeu a notificação da agência reguladora. Em nota, afirmou que a explosão foi causada pelo "acúmulo de gases inflamáveis no interior de uma galeria subterrânea".

Empresa diz que não houve curto-circuito nem relação com rede elétrica. Segundo a distribuidora, a ocorrência "não teve qualquer relação com a rede elétrica", que teria permanecido intacta. A empresa afirma que no local há apenas cabos de energia, sem equipamentos como transformadores.

Energia não foi interrompida para clientes, diz empresa. De acordo com a Enel, nenhum cliente teve o fornecimento afetado. Por segurança, a companhia diz que desligou temporariamente a energia de um cliente, que passou a ser atendido por gerador. Segundo a companhia, os serviços foram concluídos na terça-feira (3).

Procurada, a Comgás não respondeu. Caso haja resposta, o texto será atualizado.

PREFEITURA TAMBÉM NOTIFICOU A ENEL

Prefeitura aponta hipótese para explosão. Ontem, a Secretaria Municipal das Subprefeituras notificou a empresa para apresentar explicações e dados sobre o caso. Segundo a pasta, relatório técnico indica como principal hipótese uma explosão causada pelo acúmulo de gases gerados pela queima de materiais isolantes (pirólise) em cabos subterrâneos.

Enel identificou gases inflamáveis em galeria subterrânea. De acordo com a secretaria, a empresa foi ao local após o acidente e constatou a presença de gases inflamáveis dentro de sua galeria, sem esclarecer a origem. A Comgás também realizou perícia e afirmou que o vazamento não partiu da rede de gás natural.

Cetesb não encontrou gás em medição realizada na terça-feira. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo realizou medições na galeria da rua da Consolação. Segundo o órgão, não foi detectada presença de gás.