RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O adolescente de 17 anos acusado de ter tramado e praticado um estupro coletivo a uma adolescente da mesma idade, em janeiro, é considerado foragido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

O Ministério Público concordou com a internação do adolescente considerado infrator nesta quinta-feira (5), e o juízo da Vara de Infância e Juventude acatou o pedido.

A reportagem não conseguiu encontrar a defesa do adolescente nem com seus responsáveis.

Policiais civis cumpriram dois mandados de busca e apreensão nesta quinta em endereços ligados ao adolescente, nos bairros de Copacabana, na zona sul, e São Cristóvão, na zona norte. Ele não foi encontrado.

O delegado titular da 12ª DP (Copacabana), Ângelo Lages, afirmou considerar que o adolescente é "a mente por trás" dos casos de supostos estupros que foram relatados na delegacia.

Segundo a polícia, a investigação indica que o adolescente tinha um relacionamento com a vítima e foi o responsável por atraí-la a um apartamento em Copacabana, onde os outros homens, agora presos, já estavam.

O adolescente é mencionado como mentor em outro caso, de 2023, que foi relatado na delegacia depois da repercussão do primeiro. Este episódio teria acontecido quando suspeito e vítima tinham 14 anos.

Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho foram presos na terça-feira (3). Vitor Hugo Oliveira Simonin e Bruno Felipe dos Santos Allegretti foram presos na quarta (4).

Os advogados de Vitor Hugo e João Gabriel negam a participação no crime. Os advogados dos demais não foram encontrados.

O pedido de internação do adolescente gerou embate entre a Justiça do Rio de Janeiro e a Polícia Civil, expostos em notas divulgadas nesta quinta.

O delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), responsável pelo inquérito, afirmou na quarta que a apreensão do adolescente já havia sido representada e que "só dependia da Justiça". Também afirmou que a espera atrapalhava possibilidade de investigação de novos supostos crimes, já que o adolescente está em liberdade.

Nesta quinta-feira (5), o Tribunal de Justiça se pronunciou em comunicado. Afirmou que houve "sucessivos erros" da Polícia Civil e tentativas de burlar o "princípio do juiz natural". Os erros, diz o tribunal em nota, dariam margem para a nulidade de todo o processo.

Uma das possíveis falhas citados seria o envio para o juizado errado e o inquérito sem mandados de prisão.

O tribunal diz que a polícia enviou inquérito ao 5° Juizado de Violência Domés tica da Capital, mas que o caso deveria ter sido enviado à vara da Criança e Adolescente. Além do destinatário errado, o tribunal diz que não havia, no inquérito, pedido de prisão ou busca e apreensão nem solicitação de urgência.

A Polícia Civil disse em nota que seguiu o trâmite regular e que a investigação foi realizada "com rigor técnico, celeridade e absoluto compromisso com a responsabilização dos envolvidos".