SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A instalação de um conjunto de telões eletrônicos na esquina das avenidas Ipiranga e São João será debatida às 14h da próxima quarta-feira (11) pela CPPU (Comissão de Proteção à Paisagem Urbana), órgão ligado à Prefeitura de São Paulo cuja principal atribuição é zelar pelo cumprimento da Lei Cidade Limpa, segundo convocação para reunião extraordinária publicada nesta quarta-feira (4).
O projeto apelidado de "Times Square" do centro paulistano já foi aprovado no Conpresp, o conselho de preservação do patrimônio da cidade, e agora precisa superar esta última etapa para que a capital paulista tenha uma concentração de fachadas luminosas nos moldes da que existe em Nova York.
É concreta a perspectiva de avanço do Boulevard São João, nome oficial da proposta, por um período de três anos. A permanência dos painéis, porém, será condicionada a um rigoroso controle da CPPU sob risco de revogação a qualquer momento pela prefeitura, afirmou à Folha de S.Paulo um integrante da comissão.
Um dos pontos centrais da Lei Cidade Limpa é a proibição total à propaganda de terceiros em painéis externos, limitando esse tipo de veiculação aos abrigos de ônibus e relógios de rua. Mas termos de cooperação permitem flexibilizações pontuais. Em geral, esse instrumento permite projeções de imagens ligadas à promoção de atividades culturais e manifestações artísticas.
A Times Square paulistana também busca amparo legal em um termo de cooperação que prevê a exibição de informações culturais e institucionais para 70% do conteúdo transmitido. Os outros 30% seriam destinados aos apoiadores, ou seja, à publicidade de empresas que vão investir no projeto. Tais condições, no entanto, deverão ser avaliadas pela CPPU.
Os painéis seriam instalados em quatro edifícios principais: o Cine Paris República, o edifício Herculano de Almeida, a Galeria Sampa e o Edifício New York, também conhecido como o prédio do relógio do Citibank, na esquina das avenidas Ipiranga e São João, segundo a proposta.
O edifício Independência, onde funciona o Bar Brahma, não receberia painéis físicos, mas seria um local para projeções noturnas. Isso incluiria o prédio no roteiro, mas evitaria que sua fachada histórica fosse ocultada por estruturas permanentes. A Fábrica de Bares ?empresa dona de estabelecimentos como o próprio Bar Brahma? ficaria responsável pela implantação.
A quantidade e até mesmo o tamanho das instalações também poderá ser modificada pela equipe que cuida da Lei Cidade Limpa. Uma das possibilidades avaliadas pela comissão é a implantação controlada de alguns painéis para uma avaliação inicial.
Iniciativa de empresários da região central apoiada pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), a transformação da famosa esquina paulistana em uma praça iluminada nasce com o propósito de se tornar uma atração turística e colaborar com ações de requalificação das áreas mais degradadas do centro.
O investimento privado previsto supera os R$ 53 milhões para implantação e manutenção dos painéis. Desse total, R$ 2 milhões serão alocados como contrapartida para restauração de três elementos históricos do centro: a fachada da Igreja dos Homens Pretos e o monumento Mãe Preta, no largo do Paiçandu, além do Relógio de Nichile, na praça Antônio Prado.
Oficialmente, a gestão Nunes afirmou que a implantação do projeto está condicionada à aprovação na CPPU e que o Boulevard São João seguirá as normas previstas.