RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, afirmou nesta sexta-feira (6) que a empresa finaliza os preparativos para retomar a perfuração do primeiro poço em águas profundas na bacia da Foz do Amazonas.
O poço foi interrompido após vazamento de fluido de perfuração no início de janeiro. Em conferência com analistas nesta sexta, Sylvia disse que a estatal está instalando um equipamento essencial no poço e retoma a perfuração "em poucos dias".
A expectativa da empresa é atingir o alvo (a profundidade onde espera encontrar um reservatório de petróleo) ainda no segundo trimestre. Inicialmente, a previsão era de que isso ocorresse em março.
"Estamos confiantes com o nosso poço, que é o poço mais famoso do mundo. Todo mundo quer saber, todo mundo pergunta, o porteiro pergunta: como está o poço?", disse a executiva aos analistas.
A perfuração desse poço é acompanhada de perto pela indústria do petróleo, que vê na bacia da Foz do Amazonas uma aposta para renovar as reservas brasileiras de petróleo após o esgotamento do pré-sal.
Organizações ambientalistas, por outro lado, acusam o governo de incoerência ao permitir a busca por mais combustíveis fósseis ao mesmo tempo em que apresenta o país como liderança na transição energética.
Sylvia ponderou que, na indústria do petróleo, o primeiro resultado de uma pesquisa não costuma ser definitivo. Se houver descoberta, outros poços são necessários para dimensionar. Se não, outros alvos podem ser bem sucedidos.
A Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) pelo vazamento.
Já a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) autuou a estatal por falhas na sonda de perfuração que está no local, mas sem relação com o incidente. O processo pode resultar em multa de até R$ 2 milhões.
A Petrobras registrou lucro de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 201% em relação ao ano anterior, que havia sido fortemente impactado por efeitos contábeis da desvalorização do real. A companhia anunciou ainda mais R$ 8,1 bilhões em dividendos a seus acionistas.