RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro revogou a liberdade condicional do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, e determinou seu retorno à prisão em regime semiaberto.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira (5), após a Justiça constatar que o ex-jogador deixou o estado do Rio de Janeiro sem autorização da Justiça.

A reportagem fez contato com o advogado Lúcio Adolfo, que representa Bruno, por WhatsApp às 18h50. Às 19h02 ele escreveu "Te retorno mais tarde", mas não respondeu mais até a publicação deste texto. Em manifestações anteriores no processo, a defesa afirmou que as condições impostas pela Justiça para o benefício vinham sendo cumpridas.

Na decisão, o juiz Rafael Estrela Nóbrega disse que Bruno viajou para o Acre sem autorização prévia do juiz responsável pela execução da pena.

"As condutas do apenado devem ser encaradas como descaso no cumprimento do benefício que lhe foi concedido. Apenas quatro dias após a efetivação do livramento condicional, o penitente foi para o estado do Acre sem a prévia autorização deste juízo", escreveu Nóbrega na decisão.

De acordo com a Vara de Execuções Penais, o jogador deixou o Rio de Janeiro em 15 de fevereiro deste ano, quatro dias após a efetivação do benefício da liberdade condicional.

Bruno foi condenado a 23 anos e um mês de prisão por homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado e lesão corporal pelo assassinato de Eliza Samudio. A previsão para o término da pena é 8 de janeiro de 2031.

A ida ao Acre ocorreu após o goleiro ser contratado Vasco-AC. Ele chegou a iniciar treinamentos com o clube em fevereiro, foi regularizado no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF e participou de uma partida da equipe.

A passagem pelo time, no entanto, terminou nesta semana, de forma discreta e sem anúncio oficial. O técnico Eric Rodrigues confirmou a saída do jogador no fim de fevereiro.

Antes disso, Bruno também havia publicado nas redes sociais fotos de uma visita ao Maracanã, no Rio de Janeiro, onde assistiu a uma partida do Flamengo e celebrou o retorno ao estádio, no dia 4 de fevereiro. A Justiça tinha determinado que ele não podia sar de casa durante a noite.