BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Os réus pela morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo foram condenados a 30 anos de prisão, conforme sentença do tribunal do júri do Rio de Janeiro divulgada na noite de sexta-feira (6).

A decisão do Conselho de Sentença acolheu a denúncia do Ministério Público por homicídio triplamente qualificado -motivo torpe, emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Rodrigo Crespo, 42, foi morto a tiros em 26 de fevereiro do ano passado na calçada da avenida Marechal Câmara, no centro do Rio, em frente ao escritório no qual era sócio.

No mesmo edifício fica a sede estadual da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e, na mesma via, os prédios da Defensoria Pública e do Ministério Público.

Os réus condenados são Cezar Daniel Mondêgo de Souza, apontado como responsável por monitorar a vítima, Eduardo Sobreira de Moraes, que teria sido o motorista de Cezar durante o monitoramento, e o policial militar Leandro Machado da Silva, que teria fornecido os carros usados no crime.

As defesas de Eduardo Sobreira e Leandro Machado afirmaram à Folha que irão recorrer da sentença.

"A defesa de Eduardo Sobreira manifesta inconformidade com o resultado do julgamento, por entender que o conjunto probatório produzido nos autos não evidencia ciência, vontade ou qualquer forma de participação do defendido no trágico homicídio", afirmou o advogado Felippe C. Teixeira.

"É alarmante que, diante da ausência total de provas que coloquem Leandro no local do crime ou comprovem sua hierarquia no evento, tenha prevalecido o estigma em vez do fato. O que vimos foi um julgamento sobre quem o réu é e não sobre o que ele fez", disse o advogado Diogo Macruz.

Procurado por meio do escritório, o advogado Bruno Castro, que defendeu Cezar Mondêgo no julgamento, não respondeu às tentativas de contato.

O atirador não foi identificado pelas autoridades.

A Promotoria afirmou que o crime foi praticado para garantir o controle territorial de grupo ligado à exploração ilegal de jogos de azar, do qual faziam parte os réus, segundo as investigações.

O motivo do assassinato, de acordo com a denúncia, foi para intimidar possíveis concorrentes no mercado ilegal de apostas.

A investigação apurou que Rodrigo Crespo avaliava investir no setor, com a abertura de um "sporting bar" em Botafogo, na zona sul da capital.

O advogado, que tinha atuação focada em disputas empresariais, havia publicado artigos sobre o mercado de apostas pouco antes da sua morte.

O estabelecimento que ele estudava operar forneceria apostas esportivas e equipamentos similares a máquinas caça-níqueis conectadas à internet -atividade que iria de encontro aos interesses da organização criminosa que atua na região, segundo as investigações.

O território da zona sul do Rio era dominado até 2023 pelo bicheiro Bernardo Bello e passou a ser controlado por Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, pouco antes da morte de Rodrigo.

De acordo com o Ministério Público, os réus mantinham ligação com Adilsinho e atuaram para proteger o interesse do bicheiro, que foi preso pela Polícia Civil do Rio na semana passada.

Ele é apontado pelos investigadores como uma das lideranças do jogo do bicho e considerado suspeito de chefiar a máfia do cigarro no estado.

Procurado neste sábado para se manifestar sobre as acusações de ligação de Adilsinho com a morte de Rodrigo Crespo, o advogado dele não respondeu.

Em manifestação anterior, na época da prisão do bicheiro, a defesa afirmou que demonstrará a inocência dele na Justiça.