CURITIBA, PR, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Cidades brasileiras têm atos neste domingo (8) pelo fim da violência contra as mulheres. Mobilizações foram marcadas em ao menos 18 capitais, pelo Dia Internacional da Mulher.
No Rio de Janeiro, o protesto é marcado por lembranças às investigações de casos de estupro coletivo a adolescentes que ganharam repercussão nacional nos últimos dias. Nesta semana, a Polícia Civil prendeu quatro acusados e apreendeu um adolescente, considerado pela investigação como mentor dos crimes.
Um cartaz mostra o rosto dos acusados sob a inscrição "estupradores". "Se as escolas sabiam do assédio às alunas por que não denunciaram?", diz o cartaz. Representantes de grêmios estudantis do colégio Pedro 2°, onde dois acusados estudavam, estão presentes.
Os casos também são lembrados em apresentações teatrais e discursos no carro de som. O ato acontece na praia de Copacabana, zona sul, e ocupa uma pista da avenida Atlântica ao longo de dois quarteirões.
A manifestação tem bandeiras de movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda e do centro.
A ministra Anielle Franco (Igualdade Racial) e deputadas como Benedita da Silva (PT-RJ), Jandira Feghali (PC do B-RJ) e Talíria Petrone (PSOL-RJ) estão presentes no ato.
Pela manhã, também estavam previstas manifestações nas cidades de Belo Horizonte, Belém, Salvador, Cuiabá, Goiânia, Aracaju, Maceió, Natal e Palmas, além das três capitais da região Sul -Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre.
No período da tarde, estão previstas manifestações em Brasília, São Paulo, Fortaleza, Manaus e Boa Vista.
Em Curitiba, o ato foi puxado nesta manhã por coletivos feministas, movimentos de mulheres indígenas, partidos políticos e sindicatos, e se concentrou nas escadarias do prédio da UFPR (Universidade Federal do Paraná), na praça Santos Andrade. Por volta das 10h30, elas seguiram em marcha pela avenida Marechal Deodoro.
Na escadaria, foram colocados pares de calçados das 87 vítimas de femicídio em todo o Paraná no ano passado. A iniciativa foi do CRP-PR (Conselho Regional de Psicologia do Paraná).
"Essas mulheres têm histórias. São filhas, mães, tias, colegas do trabalho, amigas, profissionais. E queríamos dar materialidade a este número [87] frio", explica a psicóloga Semiramis Vedovatto, presidente da Comissão de Direitos Humanos do CRP-PR.
Segundo levantamento divulgado neste mês pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país contabilizou 1.568 vítimas em 2025, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.
A análise de 5.729 registros de feminicídio ocorridos entre 2021 e 2024 mostra que 62,6% das vítimas eram negras (3.587 mulheres), enquanto 36,8% eram brancas (2.107).
Na maioria das ocorrências, o agressor tinha relação direta com a vítima: 59,4% das mulheres foram mortas pelo parceiro íntimo e 21,3% pelo ex-parceiro.